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"O caminho do risco é o sucesso", escreveu Paulo Coelho na canção "Caminhos", de 1975, uma de suas parcerias com Raul Seixas. Pois sai em breve uma biografia sobre o período de sua vida em que o hoje consagrado escritor, embora autor do verso, não tinha como ter certeza do que dizia --nem de suas apostas. "A Canção do Mago - A Trajetória Musical de Paulo Coelho" (Editora Futuro; R$ 35; 244 págs.), de Hérica Marmo, se ocupa de uma época interessante em qualquer biografia, mais ainda na daquele que viria a se tornar o maior best-seller da história do país. Atravessando os anos 70, a obra trata da carreira de compositor e produtor musical de Coelho, de sua parceria com Raul Seixas, mas também de canções que fez com nomes como Rita Lee (como "Esse Tal de Roque Enrow") e Fábio Jr. ("Agora Chega", entre outras). Estão lá ainda as idas e vindas do personagem, sua tentativa inicial e frustrada de se tornar escritor, a relação com a "magia negra" e com as drogas, inquietações e ansiedades. O lançamento, previsto para o mês que vem, antecede a aguardada obra de Fernando Morais sobre o "mago", que deve ser lançada até o fim do ano. Uma das idéias defendidas por Marmo é a de que há continuidade entre o letrista e o romancista. Segundo o livro, foi no seu encontro com Raul Seixas que ele terminou sendo convencido de que era necessário escrever de forma simples mesmo idéias complexas. "A experiência como letrista foi fundamental", disse o autor em entrevista à Folha. "Em uma letra de música, você precisa formular em apenas uma frase todo um pensamento. Mais adiante, quando comecei a escrever, mantive isso: quanto mais direto, melhor." Inversão de papéis O escritor diz que esse foi "um ponto de transição importantíssimo". "Raul entrou na minha vida no momento certo, me ajudou muito." A relação entre os dois que salta das páginas é quase de inversão de papéis. No primeiro encontro, o "maluco beleza" é Paulo, hippie, interessado em discos voadores. Raul vai visitá-lo na Redação das revistas underground em que trabalhava --"A Pomba" e "2001"-- vestindo "terno, gravata fina" e portando uma valise 007. Era então produtor de uma gravadora. Nos anos que se seguiram ao encontro de 1972, Coelho entraria para o mundo "corporativo" das grandes gravadoras, e Raul, apresentado às drogas ilícitas por seu amigo, se tornaria o barbudo líder da "sociedade alternativa". Não que não houvesse solavancos na trajetória do letrista. Ele se aproxima de uma seita e começa a se corresponder com uma espécie de líder espiritual. Certo dia, Paulo Coelho entra em pânico, em casa; recorre ao catolicismo para esconjurar o que acreditava ser um efeito de sua ligação com a magia e, desesperado, confessa a sua mulher: "Eu nunca acreditei. Senão não teria me arriscado nesses caminhos". Noutra passagem, o escritor --após ser detido por um discurso pró-sociedade alternativa e liberdade de atos e pensamentos, em 1974-- vê fraqueza sua num momento em que, com medo, se recusa a falar com a mulher quando ambos estão sendo torturados pela ditadura (leia trecho abaixo). Trecho "Apesar da humilhação sofrida e da dor provocada por choques na genitália, essas não seriam as piores lembranças do período na prisão. Uma vez, levado até a latrina encapuzado, Paulo notou que Adalgisa estava ao lado. Ela reconheceu a voz do marido e pediu: Em pânico, ele não respondeu. Simplesmente não teve coragem, ao perceber que ela provavelmente sofria as mesmas torturas. Tempos depois, Paulo reconheceria que aquele foi o ato mais covarde de sua vida e se arrependeria disso para sempre. Quando foram finalmente soltos, Adalgisa voltou a fazer um pedido: -Nunca mais volte a pronunciar o meu nome. E a partir daí, Paulo Coelho passou a se referir a ela como "minha ex-mulher sem nome"." (Trecho de "A Canção do Mago - A Trajetória Musical de Paulo Coelho") UOL
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