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Música digital cresce 185% Segunda-Feira, 28/01/2008, 11:30am (GMT-2)
As vendas de música digital tiveram um forte crescimento no Brasil no passado. Mesmo assim, estão longe de serem suficientes para compensar a queda nas vendas de CDs e DVDs musicais. As vendas pela internet e por celulares subiram 185% no País no ano passado. A participação da música digital nas receitas totais da indústria passaram de 2% para 8%. Os números gerais do setor ainda não foram divulgados.
"Os números do mercado físico não são bons", afirmou Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD). Em 2006, a indústria brasileira da música faturou R$ 454,2 milhões, uma redução de 26,2% sobre o ano anterior. Em 2007, a queda deve ser ainda maior, tendo como base os números divulgados sobre a música digital. A internet fez a indústria mundial do disco mergulhar numa crise da qual nunca se recuperou. Em 2000, as gravadoras brasileiras, por exemplo, chegaram a faturar R$ 891 milhões. Apesar do sucesso nas vendas de música digital, ainda não existe um modelo de negócios consolidado e capaz de substituir a venda de discos físicos. Existem muitas experiências em curso. A banda britânica Radiohead colocou seu álbum In Rainbows para download na internet, convidando os fãs a pagarem o que quisessem. Mesmo que esse valor fosse zero. No começo deste mês, quando os CDs e os discos de vinil chegaram às lojas na Inglaterra, In Rainbows foi para o primeiro lugar na lista dos mais vendidos. O Last.fm, serviço de música digital da CBS, funciona como uma rádio personalizada. Ele passou a permitir, esta semana, que seus usuários escutem de graça três vezes cada música, de um acervo de 3,5 milhões de canções. Quem quiser acesso ilimitado ao acervo, paga uma mensalidade. No mundo, as vendas de música digital cresceram 40% no ano passado, chegando a US$ 2,9 bilhões. Elas passaram a representar 15% das receitas totais da indústria fonográfica mundial. Em 2006, eram 11% do total e, em 2003, praticamente não existiam. No Brasil, a venda para celulares representou 76% do total do mercado de música digital em 2007. No ano anterior, eram 96%. "O Brasil talvez seja um dos países com mais lojas virtuais do mundo", afirmou Rosa. "Temos mais de 30. Hoje, é possível comprar um álbum virtual por R$ 18." Segundo o presidente da ABPD, a pirataria via internet já preocupa tanto quanto os CDs e DVDs ilegais vendidos em camelôs. "Durante muito tempo, nossa percepção foi de que a pirataria física nos prejudicava mais", disse o executivo. "Mas as barreiras de acesso à internet estão caindo muito rapidamente, por várias medidas que o governo tomou para reduzir a carga tributária dos computadores." No ano passado, foram vendidos mais de 10 milhões de computadores no País. Segundo a ABPD, para cada download legal feito em lojas da internet, 20 músicas digitais são copiadas ilegalmente. "Quase 80% da capacidade das redes de banda larga é usada para compartilhamento de arquivos", apontou Rosa. "E 99% dos arquivos são ilegais." A indústria fonográfica propõe que os provedores de acesso sejam responsabilizados pela pirataria feita pelo usuário. "Na França, que é um dos mercados mais desenvolvidos do mundo, existe um plano proposto pelo governo", disse o presidente da ABPD. "Não vejo porque a proposta não possa ser discutida amplamente por aqui, envolvendo provedores, produtores e a sociedade." Outro meio de combate à pirataria proposto pela associação é o corte de impostos. Os tributos vão de 30% a mais de 40%, dependendo da alíquota do ICMS. "Historicamente, 75% da música vendida no País é brasileira", afirmou Rosa. "O mercado brasileiro sempre foi auto-sustentável. Poderíamos ter a mesma isenção que os livros." Renato Cruz
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