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Foi ouvindo a reedição do álbum Elis & Tom, lançado pela gravadora Trama, que Milton Nascimento resolveu atender a um pedido antigo do seu público e relançar os dois álbuns do Clube da Esquina.
"Todo mundo me falava sobre como era difícil achar o disco, e quando vi o trabalho do João Marcello Bôscoli, presidente da gravadora e filho de Elis, percebi que só relançaria com ele". Assim foi feito, e os dois discos foram transformados em três CDs, lançados pela EMI-Odeon com processo de restauração conduzido por Bôscoli. Os arranjos originais foram mantidos e os álbuns, remasterizados, com eliminação de ruídos e melhora na qualidade do som. "Parece que agora sim escuto minha voz", comemora Milton, que descarta o lançamento de um novo álbum do Clube ou show de reencontro. "O Clube da Esquina está encerrado, os dois discos que lançamos foram definitivos", argumenta. Da caipirinha, o Clube da Esquina "Eu convidei o Lô para ir a um botequim para ele tomar um refrigerante e ele pediu uma caipirinha de limão. Fiquei olhando, desaprovador, e pensando: 'está grandinho o Lô'. Foi a primeira vez que não o vi como criança. Ele disse que queria mostrar alguns trabalhos e a partir daí não paramos mais", conta Milton. Foi deste encontro que nasceu a música Clube da Esquina. À dupla, reuniram-se ainda nomes como Beto Guedes, Wagner Tiso e Márcio Borges, irmão de Lô. O nome foi idéia deste, de tanto ouvir a mesma resposta dada à sua mãe quando perguntava dos filhos: "Estão lá na esquina, cantando e tocando violão." O primeiro trabalho do Clube da Esquina rendeu a Milton Nascimento um convite para gravar com o saxofonista Wayne Shorter. O álbum também consta do livro coordenado pelo crítico inglês Robert Dimery, 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, e recebeu elogios de diversos músicos, embora tenha sido criticado pela imprensa em seu lançamento. Relacionamento delicado O segundo álbum só seria lançado em 1978. "Nem sabia que o Lô estava no Rio e quando o encontrei ele estava sentado no chão com um violão, compondo. Eu já cheguei dizendo: 'chega de preguiça, está na hora de trabalharmos de novo', e assim começamos mais um disco, que era na verdade uma grande reunião de amigos". Milton voltaria a se sentir desrespeitado pela imprensa em 1996, quando recebeu o diagnóstico de diabetes e precisou tomar um remédio que causou-lhe anorexia. Ao emagrecer rapidamente, ele se viu cercado de boatos de que estaria com aids. Mais de dez anos depois, o episódio parece ter deixado cicatrizes. "Aquilo tudo abalou muito minha família e meus amigos, pessoas que gostam de mim e sofreram muito. O caso acabou se tornando uma batalha entre os médicos que me trataram e outros que nem me conheciam e afirmaram coisas que não eram verdade. Meus médicos resolveram não processar. Eu, no entanto, não sei se teria perdoado", afirma. Futuro e música brasileira "Não gosto quando dizem que a música brasileira vai mal. Existem ótimos músicos na nova geração, e essa renovação me faz muito feliz", finaliza.
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