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Bebel em momento espontâneo Quinta-Feira, 06/12/2007, 02:36am (GMT-12)
Assim, se dizendo tranqüila, mas parecendo destemperada quando suspeita que o assunto vai parar em alguns dos ''''rótulos e estigmas'''' que acha que lhe são impostos, a cantora mostra enfim o seu terceiro disco, Momento, ao País. Ela se apresenta hoje em São Paulo, no Via Funchal. No repertório, apresenta as 11 faixas de Momento em ''''roupagens acústicas''''. Canta ainda algumas músicas de seus discos anteriores, Tanto Tempo e Bebel Gilberto (2004) - Samba da Bênção, do primeiro, e Baby, do segundo, por exemplo. No clima de antiestrelismo que não deixa de ser uma forma de estrelismo, Bebel recebeu o Estado para esta conversa. O que você pode contar sobre o show em São Paulo? No que ele se diferencia dos demais da turnê? Terá algumas surpresas. Fiz uma gravação para o i-Tunes e vou cantar no show. E tem também as novas roupagens para as minhas músicas, que vou deixar mais acústicas. Mas montou repertório em cima apenas dos três últimos discos, dessa fase mais recente? Não, tem novidades absolutas na minha voz. Pode contar alguma? Não. Você começar a turnê nos Estados Unidos, rodar a Europa e deixar para terminá-la aqui no Brasil é questão de logística ou estratégia? Na verdade, é pelo fato de o disco ter saído primeiro lá fora. Não há nada de simbólico nisso. E como a turnê chega aqui? Acho que pelo fato de a gente estar tocando há tanto tempo juntos, rola aquela coisa do olho no olho, improviso. Tem um clima menos teatro, mais cabaré. Tem roteiro, mas a gente brinca. Aqui, vou brincar mais. Momento fala sobre momentos da vida. É um disco autobiográfico? A idéia principal é viver o momento e não ficar olhando para o que passou, entende? É ''''vamos viver o agora e não ficar tão ansiosos com o que vem por aí''''. Claro que eu retrato nas músicas algumas coisas que se passaram na minha vida, e acho que é interessantíssimo o fato de as pessoas se identificarem, como no caso de Os Nova Yorkinos. É o que gosto de fazer, tocar o coração das pessoas. Quando você fala sobre ''''os nova yorkinos'''' quer dizer que agora é o momento da sua turma, da mesma forma que já houve o momento dos ''''novos baianos''''? Não, acho que é mais uma homenagem do que dizer que é exatamente como eles foram. É mais uma brincadeira. Nós somos pessoas que vivemos uma vida de artista, mais ou menos alternativa, boêmios sem ter culpa. E criando, sempre. Você definiu Momento como o seu disco mais espontâneo. É por que ele é menos preso a fórmulas? Não, acho que nem no primeiro foi uma coisa conceitual. Mas esse foi o disco onde eu tive menos produtores. Eu co-produzi e produzi a maioria das faixas, viajei sozinha trabalhando com os músicos sem ter a presença o tempo todo de alguém, como foi com o Suba (produtor de ''''Tanto Tempo''''). Isso trouxe uma maior espontaneidade. E acho que estou mais solta também nas letras. Sei lá, depois que você faz dois discos num tempo tão curto, se sente mais profissional. Dói menos. A electro bossa passou? Não sei o que é electro bossa. É mesmo? Como é, então, ser musa de um estilo de que não reconhece a existência? Sei lá... Me puseram um rótulo, óbvio. Mas imagina que se não tivessem colocado nenhum? Ai, eu sou desencanada. Quero continuar cantando, que as pessoas venham ver meus shows e comprem meus discos. Se querem chamar de electro bossa, bossa nova, bossa velha, que chamem, está tudo certo. Mas chega a perceber hoje a influência do que fez em Tanto Tempo? Claro. Mas, aí, me sinto feliz e honrada, não fico chateada. Ao que parece, você tem usado menos elementos eletrônicos, não? Eles aparecem menos, mas estão ali. Depende com quem eu trabalho, quem está produzindo. E, mais uma vez, acho que isso é rótulo, é estigma. Serviço Bebel Gilberto. Via Funchal. Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, telefone 3188-4148. Hoje, às 21h30. R$ 60 a R$ 150 Patrícia Villalba
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