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Música 

"Maria Rita abriu portas para uma geração", diz Ana Cañas

A cantora Ana Cañas é a nova aposta da MPB. Em tempos de crise da indústria fonográfica, a cantora de 27 anos assinou com a Sony BMG um contrato para o lançamento de cinco discos, a começar por Amor e Caos, seu trabalho de estréia.

Fugindo um pouco do repertório jazz que fez sucesso no bar do Hotel Fasano, onde Ana fez temporada de shows, a cantora aposta numa seleção que vai da MPB ao pop, com um timbre e um jeito de cantar muito característico.

Em uma entrevista descontraída e com alguns palavrões - "Desculpa, mas tem sentimento que só assim eu consigo expressar", brinca Ana - a cantora fala sobre o peso de ser a estrela do momento, conta por que desistiu do teatro e diz qual a importância que cantoras como Maria Rita e Ella Fitzgerald tiveram em sua carreira.

Como é ser a estrela da vez, a "aposta" de uma grande gravadora?
Olha, não me sinto nem um pouco confortável com isso, essa coisa de ser a aposta. Não acredito nessa pressão. Quero que as pessoas ouçam o disco e digam 'É legal pra caramba!' ou 'É uma m...!', quero essa resposta natural. Não vou alimentar essa coisa de "a grande promessa da música brasileira".

Você é formada em artes cênicas pela USP. O que te levou a largar o teatro e optar pela música?
Nunca fui uma boa atriz (risos). Estava mais no teatro por causa de direção e roteiros, nunca nem pensei em atuar, não levo o menor jeito. Mas ali eu estava cercada por gente da música, então sempre cantava, de forma amadora. Fui cantando em bares, recebendo convites para cantar aqui e ali, e as pessoas foram ouvindo a minha voz. Quando fiz o teste para um musical, que acabou nem sendo montado, comecei a estudar música, ouvir outras coisas, ali minha vida mudou.

Como você define seu estilo, quem te influenciou?
Sem dúvidas, quando eu ouvi a Ella Fitzgerald, não sabia que aquilo era possível, fiquei maravilhada. Não vim de uma família musical, então fui aprender música bem tarde. Como toquei na noite, gosto do som do instrumento, a coisa mais vigorosa. Não gosto de música eletrônica, não é algo em que me inspiro, nem para compor, nem para gravar.

E como é ser lançada em uma época cheia de cantoras em destaque, como a Céu, a Roberta Sá, Maria Rita?
É engraçado essa coisa de "nova geração de cantoras". O Brasil sempre teve mulher cantando, agora só aconteceu esse 'boom' porque as gravadoras passaram a investir mais em cantoras, depois do sucesso da Maria Rita. Ela meio que abriu uma porta pra toda essa geração. Embora meu estilo seja diferente, adoro a Céu. Ela impulsionou essa coisa da "nova cantora" também. Mas mesmo fora do Brasil, adoro a Amy Winehouse, acho ela f..., muito verdadeira, a Regina Spektor, e várias outras.

Você assinou um contrato longo com a gravadora. Não é arriscado, em tempos de crise do mercado fonográfico?
Qual artista independente que não quer ser bem divulgado, ter seu trabalho bem distribuído? Estou me sentindo lisonjeada por ter tido essa chance. Serão cinco discos, um a cada 1 ano e 8 meses. Como tive a liberdade total de gravar como eu queria, fazer a arte como eu queria, não vejo mal nisso. Acho importante essa tendência que as gravadoras estão de gerenciar toda a carreira do artistas, dos discos aos shows. O futuro caminha para ser assim, artistas como a própria Maria Rita e o Paulinho da Viola, por exemplo, já estão nesse esquema.

Como você já tem uma meta a cumprir, já tem pensado no próximo disco?
Sim, já estou até compondo algumas músicas. Quero que seja um "volume 2" do Amor e Caos. Não vou surtar e fazer um disco p... louca daqui a dois anos. Quero seguir essa linha que eu escolhi, claro que evoluindo, mas seguindo esse caminho.

Muita gente ainda não conhece seu trabalho, por você tocar em um lugar bastante restrito em São Paulo. Quando veremos shows desse disco?
É verdade, o Fasano é bem elitista, o público é mais velho. Com o disco quero dialogar com uma faixa da minha idade, a minha geração. Vou agora para o Rio, abrir os shows da Bebel Gilberto, depois até o fim do ano farei apenas shows fechados, restritos. Aí ano que vem sim, turnê pelas capitais, com shows em São Paulo em janeiro e março, ainda com datas a confirmar.


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