Em meio a uma profusão de imagens psicodélicas, chuva de raios laser coloridos e luzes estrobocópicas, a dupla britânica The Chemical Brothers, formada por Ed Simons e Tom Rowlands, causou uma hipnose eletrônica e uma efusão lisérgica nos sentidos dos presentes num Credicard Hall praticamente lotado, durante o show realizado na noite desta quarta-feira (7), em São Paulo.
Durante 1h45min de show, o que chamou mais atenção foram as imagens psicodélicas projetadas no telão por trás do palco. Robôs, palhaços, olhos e corpos humanos, além de um sem número de círculos coloridos, iluminados e sincronizados com as batidas do set list hipnotizaram a platéia, que obedeceu a todas as variações de clima e estruturas musicais da apresentação. Foi lisergia pura nos sentidos de quem estava presente, mesmo que se estivesse completamente sóbrio. O responsável pelas projeções é Adam Smith, conhecido também como o "terceiro Chemical Brother".
Para uma dupla (ou trio) de música eletrônica cujo auge do sucesso culminou em 1997, passados dez anos, é no mínimo admirável conseguir lotar uma casa com capacidade para 7.000 pessoas, embora que no início da apresentação, iniciada por volta das 22h30, o local estivesse com cerca de um terço de espaço vazio. A organização do evento não divulgou ainda o número final de pagantes.
A primeira explosão surgiu com "Galvanise", do disco "Push The Button" (2004), seguida de "Burst Generator" e "Do It Again", um dos sucessos do CD mais recente "We Are The Night" (2007), já bastante elogiado pela crítica.
Até então o público dançava e vibrava como se estivesse num show qualquer: prestando atenção no palco, acompanhando os remixes e dançando com moderação as batidas mais minimalistas e de house progressive. Foi somente com o hit "Hey Boy, Hey Girl" que a coisa ganhou cara de festa de música eletrônica. Todos começaram a pular sem parar com o clima mais dark, rock e dance da música.
O show continuou com "All Rights Reserved", gravada no CD mais recente em parceria com os ingleses do Klaxons. Depois Tom e Ed passearam pelos hits "Out of Control" e "Temptations" (esse apenas uma breve introdução), do New Order, de quem são fãs declarados e têm influência notável nas composições.
Simons e Rowlands ainda tocaram "Star Guitar", "Believe", "We Are The Night", além do sucesso "Chemical Beats", quando ao fim de 1h20 de apresentação parecia que estava tudo acabado.
O bis veio com o mais famoso e consagrador hit da banda, "Block Rockin Beats", para o delírio total do público. O espetáculo de cores e electrodance ainda continuou durante 20 minutos.
Repleto de hits e boas canções novas o show deixou sorrisos nos rostos dos presentes. Foi a terceira apresentação da dupla no Brasil, e ficou bem claro que a música eletrônica que começou a ser produzida nos anos 90 por eles está ainda em plena evolução.