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O novo álbum de Britney Spears, Blackout, será lançado mundialmente só na próxima terça-feira, mas a pré-estréia em alguns sites gringos e ânsia dos fãs fez com que o disco invadisse nesta semana a Internet. Facilmente encontrado em programas de compartilhamento de arquivos, não há como negar a maternidade de Blackout. As faixas dançantes que marcaram a carreira de Britney, alternando lamentos românticos com gemidos e suspiros sugestivos, estão lá, talvez até mais temperados para agradar em cheio o gosto do público. O mérito, não há dúvida, recai sobre os produtores (em especial Nate "Danja" Hills e a dupla Bloodshy & Avant) – experientes, nomes em ascensão no mercado, resolveram dotar as músicas com um leve ar hip-hop, mas com ênfase no electro. O resultado são 11 faixas dance e uma balada. Na verdade, nem tão balada assim: escrita por Pharell Williams (um dos colaboradores do próximo álbum de Madonna), "Why Should I Be Sad" não tem nada de chorosa - "estou cansada de cantar músicas tristes, chegou a minha hora", canta Britney. O inferno pessoal da cantora (drogas, divórcio, careca, perda dos filhos) vem à tona em "Piece of Me". Faixa mais pessoal do álbum, a música será o próximo single do disco e é candidata a novo sucesso justamente por explorar sua vida. "Sou a Miss 'Sonho Americano' desde os 17, não importa se entro em cena ou fujo para as Filipinas, eles sempre têm fotos do meu bumbum nas revistas", diz Britney, que ainda arrisca alguns versos sobre sua relação com os filhos ("outro dia, outro drama, não vejo nenhum mal em trabalhar e ser mãe"). O som é cheio de truques de estúdio, vozes reprocessadas, carregadas de efeitos, e todas as faixas tem backing vocals em destaque – pudera ser difícil de repetir a experiência ao vivo e a opção pelo playback, como no último VMAs. As candidatas a hit são as explícitas "Get Naked (I Got a Plan)", primã-irmã de "Gimme More", e "Freakshow", entre outras mais comportadas. As melhores, por outro lado, parecem ser "Ooh Ooh Baby" e "Heaven on Earth". Com bateria, beats e guitarra, a primeira soa como a mais orgânica e natural do disco. A segunda, carregada com uma aura anos 1980, tem um refrão excelente e lembra a australiana Kylie Minogue na melhor forma. Os indícios, portanto, pelo menos na vida profissional, são os melhores para Britney. Agora é esperar a semana que vem e ver se os milhões de fãs da cantora vão mesmo atender ao pedido de boicote ou correr às lojas norte-americanas. A última opção, sem dúvida, é de longe a mais provável. Marco Tomazzoni
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