
LÍDER e mentor do Charlie Brown Jr., grupo de Santos (SP) projetado nos anos 90 com mix de rap, hardcore e reggae, Chorão tem fama de mau. Mas o marrento artista prega o bem na maioria das 23 faixas de Ritmo, Ritual & Responsa, caracterizado por Chorão como a “primeira parte” da trilha do filme O Magnata, que estréia em novembro. O longa, protagonizado por Paulo Vilhena, foi idealizado e roteirizado por Chorão, que participa da trama no papel dele mesmo.
Cinema à parte, o CD é quase um manual de sobrevivência para jovens da periferia, o público-alvo do grupo. “Resgate suas forças e se sinta bem”, sentencia Chorão em “Pontes Indestrutíveis”, reggae turbinado com efeitos de dub. “Uma vida sem amor é uma vida sem sentido”, prega o vocalista no rock “Não Viva em Vão”, de batida nervosa. Para ajudá-lo em seu discurso, raso mas direto, Chorão convocou o rapper MV Bill e João Gordo, entre outros convidados. Bill dá seu recado em “Sem Medo da Escuridão”. Já o vocalista do grupo Ratos de Porão aparece em “Vida de Magnata”, faixa iniciada com falas do filme que inspirou o disco. Chorão não desloca o eixo estético do som do grupo – ainda estruturado no tripé raprock- reggae –, mas acerta ao adotar tom mais moderado que chega a soar terno na balada “Uma Criança com Seu Olhar”. (M.F.)