Sabendo

The Rakes mostra que rock dançante é sua especialidade no Festival Indie Rock
Terça-Feira, 16/10/2007, 11:49pm (GMT-12)

O The Rakes mostrou que música dançante é a sua especialidade durante o encerramento do Festival Indie Rock, nesta sexta-feira (27), em São Paulo. As quase 1.500 pessoas que compareceram ao evento, de acordo com a organização, pularam e dançaram sem parar ao som do rock de influência pós-punk do quarteto inglês almofadinha, a atração mais esperada da noite.

A banda encontrou uma platéia ainda tímida na abertura do show. Mas foi só tocar a segunda canção, "Retreat", que a pista começou a ferver. Em seguida o hit que tornou a banda conhecida no Brasil, "We Danced Together", do primeiro disco "Capture/ Release" (2005), e "We Are All Animals" embalaram de vez a festa do público.

"Vamos passar o dia de amanhã aqui, mas o pessoal do Rio de Janeiro nos disse que em São Paulo não tem nada para fazer... [eles se apresentaram na versão carioca do festival na última quinta-feira]. O que vocês acham?", perguntou, em tom de brincadeira, o vocalista Alan Donohoe aos paulistanos. No segundo seguinte gritou: "São Paulo Rock's!", cativando ainda mais a platéia.

Donohoe chegou a anunciar que diminuiria o ritmo da apresentação, no entanto, ninguém ficou parado em "When Tom Cruise Cries". O ponto culminante do show veio em seguida com "All Too Human", "Suspicious Eyes" e, sobretudo, com o punk das faixas "22 Grand Job" e "Strasbourg" --essas duas últimas foram o ápice da animação dos presentes no Via Funchal quase vazio. O destaque nessas canções foram os solos do baterista Lasse Petersen.

Aí os ingleses deixaram todo mundo com gosto de quero mais e saíram do palco. O público, ainda inebriado, ficou em dúvida se era algum problema técnico e começou a vaiar a produção, que organizou os instrumentos durante não mais que cinco minutos.

O bis veio com uma das únicas músicas românticas do Rakes, "Little Superstitions". A animação continuou até o fim, quando os ingleses terminaram o show de uma hora e dez minutos com a bombástica "The World Was a Mess But His Hair Was Perfect", música de abertura do segundo disco, "Ten New Messages" (2007), ainda não lançado no país.

O "show-balada" se deu porque a banda tem bons riffs de guitarra, prima por batidas rápidas e letras com uma boa dose de humor, angústia, romantismo e política. O único ponto baixo são os vocais monocórdios de Donohoe, que não chegam a comprometer o todo.

Nação
Prevista para ser a segunda atração da noite, a Nação Zumbi abriu o último dia de festival pouco antes das 22h. A banda optou por fazer um show baseado em sucessos antigos e mostrou apenas duas músicas do novo álbum, "Futura": "Hoje, Amanhã E Depois" e "Memorando".

O vocalista Jorge du Peixe cumprimentou a platéia, quase vazia, e dedicou o show a Rafael Torres, flautista e trombonista do Mombojó, morto no último dia 6. [O grupo havia sido escalado inicialmente para o evento, mas em decorrência da morte de Rafa, cancelou a participação no festival, e os mangueboys entraram na programação para substituí-lo].

O público já vibrava com os riffs estrondosos de Lucio Maia em "Mormaço", do álbum que leva o nome da banda (2002). Logo depois os pernambucanos entoaram "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada" e "Propaganda", do mesmo disco. Em seguida vieram "Arrancando As Tripas", parte do CD "Rádio S.A.M.B.A" (2000), "Macô", do "Afrociberdelia", quando ainda tocavam com Chico Science, e "Prato de Flores" e "Blunt Of Judah", ambas de 2002.

Jorge Du Peixe agradeceu a empolgação, assobios e palmas do público. Ele disse que o grupo está em gravação e lançará um novo disco em outubro deste ano [produzido por Mario Caldato]. "E vamos lembrar da época de Chico, senão a gente esquece", finalizou. Em seguida a Nação tocou "Rios, Pontes e Overdrives" e "Maracatu Atômico". A saideira foi "Quando a Maré Encher", composição de outra banda da era manguebeat, a Eddie, de Olinda.

Móveis
Os virtuosos dez músicos do Móveis Coloniais de Acaju entraram em cena com o espírito de big band dos anos 30 que lhes é peculiar às 23h15. De imediato, os brasilienses já arrancaram assobios e aplausos da platéia.

A mistura de samba, ska, rock, levadas de embolada, aliada a bem elaborados metais e até arranjos circenses e bregas, combina com a intensa movimentação dos rapazes no palco e com algumas letras que beiram ao surrealismo. Entre as canções mais aplaudidas estavam "E Agora, Gregório?", "Perca Peso" e "Esquilo Não Samba".

O vocalista André Gonzáles defendeu "a pirataria das próprias músicas" - o grupo disponibiliza de graça todas as faixas do seu primeiro e único CD, Idem (2005), em seu site.

O Móveis Coloniais de Acaju ainda mostrou uma nova canção, "Cheia de Manha", e fez um cover de "Glory Box", do Portishead.

A canção "Copacabana" encerrou o espetáculo em clima de festa entre amigos. Depois Gonzáles e a turma do metal desceram até a platéia, onde ficaram dentro de um círculo entoando e dançando polka com o público.

Pouco público
No total, 3.300 pessoas compareceram ao festival. Nem um terço da capacidade do Via Funchal (6.000 pessoas só na pista) foi ocupada em nenhum dos dois dias (no primeiro, foram cerca de 1.800 pessoas, e, no segundo, quase 1.500).

"O preço dos ingressos (R$ 100 a cada dia) pode ter contribuído para que a casa ficasse quase vazia", disse a organização do evento
GABRIELA BELÉM