Sabendo

CO2 acumula-se na atmosfera mais depressa que o esperado
Quarta-Feira, 24/10/2007, 10:14am (GMT-2)

SÃO PAULO - A economia mundial está injetando cada vez mais dióxido de carbono na atmosfera, e a eficiência dos mecanismos naturais para retirar o gás causador do efeito estufa do ar vem diminuindo. As duas más notícias aparecem em estudo realizado por uma equipe internacional e publicado pelo periódico Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS).

Segundo o trabalho, a taxa de aumento das emissões de CO2 passou de 1,3% ao ano, nos anos 90, para 3,3% ao ano, entre 2000 e 2006. Os pesquisadores atribuem o fato à recente aceleração do crescimento econômico mundial e ao aumento da intensidade de carbono da economia - isto é, do CO2 liberado para gerar cada dólar do PIB mundial. Além disso, os pesquisadores documentam uma tendência, verificada nos últimos 50 anos, de perda de eficiência dos chamados "ralos" por onde a natureza elimina os excessos do gás, que assim acumula-se em taxas maiores na atmosfera.

 

O estudo estima que, desde 2000, 65% da aceleração do aumento da taxa de carbono no ar foi causada pelo crescimento econômico, 17% pelo aumento do consumo de carbono na economia e 18%, pela perda da eficiência dos mecanismos naturais de reciclagem. Os autores do trabalho notam que o acúmulo de maiores quantidades de CO2 na atmosfera já era esperado, mas que "a magnitude dos sinais observados parece maior que a estimada pelos modelos".

 

Ao analisar o aumento da intensidade de carbono da economia mundial, os autores do trabalho notam que taxa de emissões de CO2 necessária para produzir US$ 1 do Produto Mundial Bruto (PMB) caiu de 0,35 kg de carbono por dólar, em 1970, para 0,24 kg/dólar em 2000, mas que desde então a relação voltou a aumentar, o que vem fazendo a um ritmo de 0,3% ao ano.

 

O trabalho nota, ainda, que existe um aumento na fração de dióxido de carbono presente do ar, em comparação com o que é absorvido pela terra e pelos oceanos, o que sinaliza um enfraquecimento dos "ralos" naturais do gás.

 

Os autores afirmam que a fração que fica na atmosfera, desde 1959, oscilou entre 0% e 80% do carbono emitido, e esteve em 46% entre 2000 e 2006. Agora, vem aumentando a uma taxa de até 0,46% ao ano. "A elevação da fração implica que as emissões de carbono vêm crescendo mais depressa que a estocagem em terra e nos oceanos", diz o artigo.

 

"Todas essas mudanças caracterizam um ciclo do carbono que gera uma pressão sobre o clima mais forte e mais rápida que o esperado", afirma o texto publicado pela PNAS.

 

Além disso, nesta segunda-feira, 22, especialistas em energia representantes de 150 academias científicas e de engenharia do mundo emitiram um relatório encomendado pelos governos da China e do Brasil, intitulado Iluminando o Caminho - Rumo a um futuro de energia sustentável. O texto pede que as nações se afastem do carvão e outros combustíveis que são as principais fontes dos gases causadores do efeito estufa.

Carlos Orsi