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Universidades francesas se armam contra plágios de obras Quarta-Feira, 17/10/2007, 02:10pm (GMT-12) As universidades francesas apertaram o cerco contra o copiar-colar feito pelos estudantes nos trabalhos acadêmicos. As instituições de ensino estão adotando programas de computador capazes de identificar trechos de obras já existentes reproduzidos, sem a devida citação da fonte, nos textos entregues pelos universitários. É o enganado pegando o enganador, como diria um francês, citando um dos mais correntes ditados populares do país.Existem diversos programas do ramo no mercado, mas o mais utilizado é o Compilatio, criado há dois anos por um grupo de pesquisadores da Universidade de Savoie, em Chambery, sudeste da França. O software analisa se trechos do trabalho já foram publicados na internet e aponta ao professor de que site eles vêm. Mais de 40 instituições de ensino usam a ferramenta para desmascarar alunos plagiadores. Para ter acesso ao serviço, é necessário fazer uma assinatura e criar uma conta no site www.compilatio.net. Pelo valor mensal de 12,42 euros (31,67 reais), o usuário tem direito a uma pasta que armazena até 100 Mb de arquivos e a cinco análises de documentos. Além desse limite, pode-se fazer pacotes de 10, 50 ou até 50 mil análises, com prazo de um ano para serem realizadas. Um pacote de 500 inspeções, por exemplo, sai por 249 euros (635 reais), ou seja, 50 centavos de euro por cada documento. É preciso dispor de uma versão digital do trabalho, que o professor consegue pedindo o estudo por email aos alunos, por exemplo. Na sua pasta virtual, o usuário insere os trabalhos a serem analisados. Os diagnósticos saem em um ou dois minutos, dependendo do tamanho do arquivo, e distinguem os textos em três categorias: verde (que significa não plagiado), amarelo (entre 10% e 35% de trechos plagiados) e vermelho (acima de 35% de frases copiadas). O software ressalta em rosa os trechos plagiados e, ao clicar sobre eles, o assinante do serviço tem acesso ao site original de onde aquelas frases podem ter sido retiradas. "O objetivo não é de prejudicar os alunos que fazem isso, mas sim de incentivá-los a perder esse hábito, que no fundo só atrapalha os estudos. Se eles ao menos eles trocassem as palavras, não seriam pegos pelo Compilatio. Mas a nem isso se dão o trabalho", disse Fréderic Agnès, um dos inventores do programa - ele próprio um ex-estudante que assume ter copiado "um pouco" nos seus trabalhos de faculdade. Ao mesmo tempo em que formulavam os princípios da ferramenta - desenvolvida a pedido de professores da Savoie -, Agnès e seus colegas realizaram uma pesquisa na Universidade de Lyon para identificar qual era o verdadeiro peso do plágio nos trabalhos acadêmicos. O resultado foi surpreendente, em especial para aqueles professores que julgavam esse um problema sem importância e quase inexistente: a cada cinco alunos, quatro admitiram plagiar eventualmente obras publicadas na Internet. Entre os professores, 90% afirmaram já terem flagrado cópias nos trabalhos dos alunos. O responsável por novas tecnologias na Universidade de Lyon, Nicolas Truchaud, lembra que a prática do plágio é antiga, mas que em tempos de internet ela se tornou quase automática. "Os estudantes vendem suas dissertações e fichas de leituras para sites especializados nisso e essas obras se disseminam em novos trabalhos em uma velocidade impressionante. Os professores estão sempre de olho nestes endereços, mas mesmo assim é impossível estar a par de tudo que circula na web", afirmou Mimiague. Qualquer pessoa do mundo pode se cadastrar e assinar o Compilatio, uma vez que a busca por "originais" na internet é feita em toda a web, em todas as línguas. O único contratempo, por enquanto, é que o site do programa está disponível apenas em francês. A tradução para o inglês está sendo providenciada. No ensino brasileiro, no entanto, as universidades parecem ainda não ter incorporado métodos de prevenção ao plágio semelhantes aos franceses. A Unicamp possui um projeto experimental no Instituto de Computação, ainda em fase de aprimoramento. Já a Universidade de São Paulo (USP) desconhece a ferramenta, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) diz que a identificação de possíveis cópias é feita pelos próprios professores. Procuradas pela reportagem, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Brasília (Unb) não se manifestaram. Lúcia Jardim
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