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Em 2006, mais de 19 mil mulheres receberam, no País, o diagnóstico de câncer de colo de útero – de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Embora seja passível de prevenção e detecção precoce, a doença mata 6 vezes mais no Brasil que em países desenvolvidos, como a Inglaterra e os Estados Unidos. Isso porque essas nações já implementaram programas competentes para rastreamento da patologia, com exame de citologia ou Papanicolau, e com tratamento precoce das lesões precursoras do câncer, o que diminuiu em até 70% a mortalidade.
Os médicos consideram a mortalidade por câncer de colo de útero um importante indicador de desenvolvimento social, comparável à mortalidade infantil. “As principais vítimas são mulheres pobres, em idade reprodutiva e que não têm acesso a serviços básicos de atenção à saúde ou que, quando realizam o exame, demoram a retornar ou jamais retornam para tratamento”, informa Dr. João Nunes, chefe do Serviço e da Residência de Oncologia do Hospital Universitário de Brasília. “No Distrito Federal, para se ter uma idéia, estudo recente mostrou que 18% das mulheres entre 25 e 59 anos não realizaram o exame Papanicolau nos últimos 3 anos”, destaca o especialista.
Na linha de risco – Quando se aborda o câncer de colo de útero é inevitável falar do papiloma vírus humano. “Cerca de 99% dos casos da doença estão relacionados ao vírus conhecido como HPV – mais especificamente a alguns subtipos considerados de alto risco”, explica Dr. João.
Mais uma vez, o Papanicolaou aparece como o caminho ideal para a identificação precoce. “Toda mulher deve obrigatoriamente realizar o exame uma vez por ano, desde o início da vida sexual. O intervalo entre um exame e outro pode ser reduzido dependendo de alguns aspectos, tais como: presença de lesões e determinados hábitos sexuais. Vale destacar que a maioria das infecções por HPV não apresenta sintomas (lesões ou verrugas)”, enfatiza o oncologista.
Para prevenção, o uso do preservativo é eficaz, uma vez que a transmissão se dá por via sexual. Outra importante forma de prevenção já disponível no Brasil é a vacina anti-HPV. “Ela será destinada a mulheres de 9 a 26 anos que não entraram em contato com os subtipos de alto-risco do vírus. Estamos otimistas, pois a expectativa é de que a vacina venha a evitar, no futuro, 70 % dos cânceres de colo uterino”, antecipa Dr. João. |