Filipe Serrano
Imagine que você acaba de sair do cinema com a música do filme na cabeça. Na saída você pega seu tocador de MP3 ou o celular, espeta numa máquina em frente à bilheteria, passa o cartão de crédito e baixa na hora a canção ou mesmo o álbum completo do artista.
Foi isso que Bruno “Brau” de Marchi Filho, de 32 anos, e Armando Perico, de 21 anos, imaginaram e já começaram a tornar realidade no Brasil. Os dois ficaram sócios do conhecido empresário da indústria musical, Marcos Maynard, que já teve altos cargos em gravadoras multinacionais e foi presidente da EMI e da extinta Abril Music.
A tal máquina que Bruno e Armando inventaram foi batizada de Fun Station. Ela é bem parecida com aqueles quiosques para revelar fotografias no estilo “self-service”. Além de servir para comprar músicas digitais, ela também venderá vídeos e toques para celular.
O plano é que as primeiras Fun Station comecem a ser instaladas nas megastores de São Paulo em abril, mas o sonho dos jovens empreendedores é que a máquina seja colocada em lojas de conveniência.
“Queremos vender música como água, que é encontrada em qualquer lugar, sem que você precise ir até uma loja de CD. Com a Fun Station também não é preciso ir até em casa para fazer o download da música pelo computador.” Bruno, que se tornou o porta-voz do negócio, repete várias vezes esse bordão durante a entrevista.
No entanto, o preço de cada faixa não será tão barato e deve ficar em torno de R$ 2, o mesmo valor cobrado hoje em dia pelos sites brasileiros que vendem música. “O preço vai depender do que a gravadora pedir”, explica Bruno.
Segundo ele, as quatro maiores gravadoras (Universal, EMI, Warner e Sony-BMG) estão interessadas em colocar seus catálogos à venda na Fun Station. Oficialmente Bruno não diz quais delas fecharam acordo ou sequer quais lojas colocarão a máquina em exposição. Até fabricantes e operadoras de celular, que têm investido bastante nos serviços de músicas pelos telefones móveis, estão em negociação.
Mas, no mundo em que as músicas tendem a se tornar um produto gratuito por causa das redes de troca de arquivo pela internet, uma máquina para vender canções não seria só um último respiro no meio de um naufrágio?
“Essa é a principal crítica que nós recebemos. Mas meu sonho é justamente alcançar um modelo de negócio em que seja possível puxar as músicas da Fun Station de graça. O pagamento viria por meio de patrocínios de empresas”, afirma Armando Perico.
Ele explica que marcas de refrigerante, por exemplo, poderiam fazer promoções do tipo “junte trinta tampinhas e troque por um CD”. Mas, por enquanto, isso não passa de um sonho, de uma oportunidade aberta pela Fun Station.
TRABALHO DE FACULDADE
Os dois empreendedores se conheceram quando Bruno procurava alguém para criar o site da sua banda de rock, a Rotor, e encontrou Armando que trabalhava com o desenvolvimento de páginas para a internet.
Depois cada um seguiu seu caminho, mas mantiveram a amizade. Armando foi à Suíça para estudar informática na Universidade de Lugano (Unisi) e Bruno continuou tocando como tecladista na Rotor.
Bruno, porém, era inquieto. Sempre tinha idéias mirabolantes para sua banda. Ele pensava em formas de vender as músicas pela internet. Quando idealizava projetos, ligava na hora para Armando. Foi numa dessas conversas que Bruno contou sua mais nova elucidação: criar uma máquina para vender músicas.
Armando gostou da idéia e criou a Fun Station para um trabalho da faculdade. Ele foi escrachado pelo professor que criticou o projeto por ser ultrapassado e simples demais em relação à matéria. Os outros alunos também jogaram pedras na Fun Station. “Por causa da repercussão, senti que o projeto ou seria muito bom, ou um fracasso total ”, diz. A resposta? Só depois de a máquina chegar para valer