Sabendo

Parcerias ditam as regras em feira de eletrônicos
Quarta-Feira, 09/01/2008, 12:57am (GMT-12)

 

Se você quer saber qual é o tema da Consumer Electronics Show deste ano, diga adeus às empresas que você costumava conhecer. Este ano, a maior feira de produtos eletrônicos do mundo não tem a ver com produtos. O importante agora são as parcerias. E o que a feira mostra é um casamento entre os antes orgulhosos fabricantes de equipamentos, os rebeldes e maçantes provedores de infra-estrutura de internet e os exuberantes, às vezes arrogantes, produtores de conteúdo. E até as contribuições dos consumidores entram nessa união.

As peças se fundem numa caótica alquimia que está tornando o setor mais ruidoso e as estratégias menos direcionadas do que nos últimos anos.

Em uma conversa com jornalistas, o presidente e diretor-administrativo da Panasonic, Toshihiro Sakamoto, sentado ao lado de um grupo de executivos sérios e servis, disse como sua empresa precisa fazer um melhor trabalho com os provedores de conteúdo. "Sem eles, você não consegue fazer uma TV grande", disse.

Em outras palavras, Sakamoto acha que não consegue mais criar hardware sem uma cooperação com todos que estão na cadeia de alimentação. Quanto à capacidade da própria companhia de produzir seu conteúdo, ele respondeu: "Somos muito ruins nesse tipo de coisa."

Se há um fato que está provocando agitação, pode muito bem ser a decisão da Warner Brothers de adotar a tecnologia Blu-Ray, da Sony, como novo padrão do DVD de alta definição. O que significa uma grande vitória e uma fatia de mercado para a Blu-Ray sobre o pessoal do HD DVD, da Toshiba. E é mais um exemplo do papel que as parcerias estão desempenhando por aqui.

Outro exemplo é o comunicado feito pela direção da Sony. Numa outra reunião, os jornalistas japoneses, em particular, salientaram que a Sony não está conectada com os consumidores do mesmo modo que a Apple. A Sony estaria sendo movida muito mais pela engenharia? Um executivo de marketing, sentado uma cadeira depois do presidente do grupo, Howard Stringer, disse que a empresa estava ciente do problema e vinha adotando medidas para solucioná-lo, tendo começado já a pedir sugestões para os consumidores.

O que está tornando a feira deste ano tão fora de foco é que as empresas individuais querem negociar, mas não estão absolutamente seguras sobre como os modelos de negócios funcionam exatamente. Com quem devem fazer parcerias e como dividir as porcentagens de lucro?

Impulsionando a cooperação, com o risco de dizer o óbvio, estão duas tendências. Uma (mais óbvia) é o volume cada vez maior de conteúdo na internet. A outra é a onipresença das telas de TV. Estão por toda a parte. São mais amplas e mais finas, menores e mais leves. O que significa: publicidade. Por todos os lados.

Mas, para chegar a todos os lugares onde as TVs estão - ter o entretenimento e o seu apoio publicitário em cada canto e fresta; apoiar os ciclos intermináveis de atualização do hardware -, a empresa individual precisa morrer. Em Las Vegas as empresas mostram que estão dispostas a se submeterem a isso em busca de um bem maior: a sua sobrevivência a longo prazo.
Matt Richtel,