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Internet tem cursos gratuitos de idiomas; conheça opções e ressalvas

Trânsito, falta de tempo e orçamento apertado. Se para você esses fatores sempre serviram como desculpa para adiar o estudo de um novo idioma, é hora de renovar o repertório. Atualmente, nenhum destes obstáculos impedem interessados em falar uma nova língua —os sites de aprendizado de idiomas são cada vez mais comuns na Internet, e permitem ampliar, à distância, a cultura e o currículo.

Didáticos e muitas vezes gratuitos, esses sites pretendem ser salas de aula cibernéticas, com professores virtuais no lugar de docentes de carne e osso, e permitir muita liberdade ao aspirante a poliglota. A gama de idiomas oferecidos foge ao óbvio e vai do inglês ao grego, passando até pelo latim.

Porém, pensar que bastam algumas horas sentadas à frente do PC para sair falando a língua ambicionada é subestimar a dificuldade da tarefa. Tal e qual as aulas reais, e até com mais intensidade, o e-learning —ou educação à distância— requer empenho e dedicação. Profissionais ligados à categoria explicam o porquê disso e mostram que há um perfil de usuário que costuma obter sucesso neste estilo de ensino.

Com sites ao alcance de um clique, como saber quais valem a pena? De que forma diferenciar os bons daqueles que são pura perda de tempo? O Tecnologia conversou com especialistas em educação à distância, traçou um perfil do tipo de estudante que aprende uma nova língua com sucesso por meio do método e selecionou alguns sites do gênero, com seus prós e contra.

 

Site interativo e aluno disciplinado são chaves para e-learning

 

Os sites gratuitos de educação à distância —ou e-learning— especializados em idiomas vêm se aperfeiçoando: eles usam o potencial interativo da Web e dão adeus à antiga imagem de ferramenta de qualidade duvidosa que um dia carregaram. Aliás, hoje eles até valorizam a imagem de quem os utiliza.

"Quem faz um curso de educação à distância, seja de idiomas ou de outra categoria, mostra-se uma pessoa de perfil diferenciado aos olhos dos departamentos de recursos humanos de grandes empresas", afirma o consultor educacional Oscar Fujita, autor de tese sobre o assunto para a Universidade de São Paulo. "Headhunters já enxergam a participação de candidatos e funcionários em aulas remotas como uma vantagem qualitativa".

Para Fujita, essa valorização se deve ao fato de que quem procura aprender algo remotamente combina características como boa organização pessoal, disciplina e sábia administração de tempo livre.

O pedagogo Marcos Ueda, responsável pelo departamento de e-learning de escolas como Cel Lep e Instituto Goethe, concorda e acrescenta que, além do perfil citado, alunos que aprendem à distância ganham mais desenvoltura com computadores. "É necessário possuir intimidade com a informática e isso faz com se veja principalmente dois tipos de usuário nestes ambientes: o 'imigrante' e o 'nativo' digitais".

De acordo com Ueda, o primeiro grupo corresponde à classe de pessoas com mais de 45 anos que não nasceram na era do PC, mas que devido ao trabalho, se familiarizaram com a tecnologia. Já o segundo time representa a geração que veio ao mundo conjugando termos como bits e bytes.

Comprometimento

Dessa forma, se por um lado conhecimento tecnológico e disciplina pessoal são fundamentais ao aprendizado à distância, a falta deles pode impossibilitar a prática do estudo. "Quem não possui esses atributos vai depender muito da filosofia do ministrante do curso", explica o consultor Fujita. "Interatividade é fundamental e mantém a motivação do aluno —quando isso não existe, a tava de evasão é alta".

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que um bom site de ensino de idiomas à distância deve:

Abusar da interatividade, com salas de chat textual e audiovisual, perfis de e-mail exclusivos, comunicadores instantâneos internos e tudo o que favoreça a atuação do usuário com o ambiente virtual,

Ter interface ou software de fácil utilização, com visual que preze a agilidade na navegação e acessibilidade do aluno junto aos professores e suporte técnico para elucidação de dúvidas,

Oferecer visão moderna do idioma ensinado, com vocabulário vasto e frases que prezam a construção contemporânea de expressão verbal.
SITE DE E-LEARNING IDEAL

A analista comercial Thayanne Santos nunca havia considerado aprender um idioma através do PC até um curso destes, em versão paga, ser sugerido pela empresa em que trabalha.

"Sempre imaginei que não aprenderia muita coisa, mas acabei me surpreendendo." Até então, o máximo que a analista havia feito em matéria de e-learning fora a checagem de conteúdo complementar online de um curso convencional de alemão que fazia.

Estudante de inglês para negócios, a analista confirma a necessidade de disciplina e empenho para quem quer falar um novo idioma. "Meu aproveitamento só passou a ser bom quando comecei a reservar uma hora do meu dia exclusivamente para a tarefa. Sem dedicação, é bastante difícil."

Conheça seis sites gratuitos de ensino de idiomas na Web

Você já sabe que o aprendizado online gratuito de idiomas é possível com dedicação e disciplina pessoal. Mas, antes de começar os estudos, tenha em mente que a qualidade dos sites encontrados na rede varia bastante. Vale a tentativa —e caso você se frustre, há sempre opções mais profissionais, com mais recursos.

O UOL Tecnologia selecionou seis páginas que prometem ajudar a dominar outros idiomas. Confira a análise delas abaixo e faça a sua escolha:

UOL Educação | BBC
Na parceria entre o maior portal da Internet brasileira e a estatal britânica, o usuário encontra interface traduzida para o português. Ela é dividida em exercícios de leitura; testes; gramática e vocabulário; audição e aulas completas. O nível vai do básico ao avançado.

Apesar da ausência de ferramentas de interação, como salas de chat exclusivas, e a baixa oferta de conteúdo audiovisual, os links são extensos e abordam assuntos contemporâneos relacionados à cultura do Reino Unido. A confiabilidade da estação televisiva também conta pontos a favor.

BBC Languages
Destinado aos que já dominam o inglês e desejam aprender mais uma língua, o site britânico da BBC oferece sete idiomas para aprendizado —entre eles, grego e urdu (língua do Paquistão). Mas, a real ênfase fica concentrada em espanhol, francês, alemão e italiano.

A navegação é um tanto confusa, mas os links dão soluções rápidas para quem quer adquirir uma noção básica do idioma, com a transmissão, em áudio, de frases frequentemente utilizadas na língua estudada. O aspecto negativo é que só quem superou o estágio "the book is on the table" compreende as aulas, totalmente feitas e explicadas no idioma da rainha Elizabeth 2ª.

Mango Languages
Também restrito a quem já tem noções de inglês, o site ensina 11 idiomas diferentes —de línguas tradicionais, como espanhol, francês e alemão, a outras inusitadas mas não menos importantes, como mandarim e russo. As ferramentas incluem arquivos de áudio (que você pode baixar diretamente para iPod, por exemplo) e significado e pronúncia correta de vocábulos por som.

Em versão beta, o site é promissor. O "porém" reside na interface exclusivamente pensada para quem fala inglês —apesar disso, há duas modalidades extra dedicadas a ensinar inglês aos fluentes em espanhol e, acredite, polonês.

A oferta de sites gratuitos cresce na Web, mas quem se dispõe a pagar pelo ensino online de idiomas não está desperdiçando dinheiro. Ferramentas de escolas virtuais de idioma são cada vez mais populares entre usuários domésticos e grandes empresas.

Com preços que começam, geralmente, em R$ 100 por mês, a English Town atende a 10 mil alunos no Brasil. A escola oferece aulas de conversação com professores nativos no idioma e integra áudio e vídeo à interface.

Mais focada no universo corporativo, a Global English também oferece e-learning de inglês e suporte ao usuário 24 horas por dia, sete dias por semana. Para isso, cobra a partir de US$ 180 por três meses de ensino.

"Nossa cartela de clientes é mais focada no setor de pessoa física", informa o diretor da empresa no Brasil, José Ricardo Noronha. "Dos 15 mil alunos a que atendemos no país, diria que 99% são deste segmento".
SITES PAGOS: MAIS RECURSOS
No teste feito pelo UOL Tecnologia, o site foi carregado facilmente, e as aulas mostraram uso de linguagem atual e de simples compreensão.

Language Guide
Apesar da interface simples e da falta de interatividade —esqueça salas de chat ou fóruns—, disponibiliza arquivos de áudio e aulas na própria página. Oferece, também, didatismo superior ao dos outros sites em português avaliados. O site permite o aprendizado de 11 idiomas, incluindo português. O destaque fica com a oferta de japonês, hebraico e árabe.

Para navegar pelos idiomas, é preciso selecionar sua língua nativa numa aba superior da home page. Feito isso, escolha o desejado. Para compreender vocábulos estrangeiros, basta posicionar o cursor do mouse sobre a palavra para ler a sua descrição em português e ouvir a pronúncia correta num plug-in de áudio.

Na visita feita pelo UOL Tecnologia, o link para "ajuda" estava inoperante.

Inglês Curso
De autoria brasileira e com interface em português, tem pouca interatividade. Isso compromete a diversão de quem tenta aprender inglês remotamente (a única língua ensinada na página). Além disso, não tem navegação confortável.
O internauta realiza um teste em que menus dropdown encaixam palavras em espaços em branco. Feito isso, recebe uma classificação e, supostamente, passa a receber o envio de e-mails com as lições. O curso é gratuito, mas há a oferta de venda de um pacote de CD-ROMs que complementa o ensino.

Na visita do UOL Tecnologia, a sala de chat apresentou erro no carregamento, mas há um fórum disponível para postagens.

Weblinguas
Da mesma forma que o Inglês Curso, este não disponibiliza as aulas em sua página. O envio delas é prometido para o e-mail do usuário e as respostas estão disponíveis no site e divididas por lição.

Além do português, são oferecidos inglês, espanhol e francês. Curiosamente, o próprio site avisa que "não substitui o método tradicional de aulas reais com professores" —o que levanta dúvidas sobre a serventia da proposta.
A navegação é básica, e a interatividade, nula. Há uma sala de chat que apresentou erro na utilização feita pelo UOL Tecnologia na apuração da matéria.

 

Caio Terreran

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