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Na conferência da web 2.0 realizada aqui em 2005 - antes de o Google ter pago U$ 1,65 bilhão pelo YouTube e se falar de valorizações de US$ 15 bilhões para o Facebook - Zach Coelius, um rapaz precoce de 25 anos que havia se esgueirado ao auditório sem pagar, pegou o microfone e pediu ao orador alguns conselhos sobre carreira.
Comece uma empresa, replicou Rupert Murdoch. Agora, dois anos depois, Coelius repetiu o feito, desta vez na festa para os figurões da internet no Museu de Arte Moderna de San Francisco, patrocinada pelo MySpace, que Murdoch adquiriu em 2005 pelo que hoje parece a pechincha de U$ 580 milhões. Minutos depois, Coelius se esgueirou por entre a multidão para falar com Murdoch e lhe contar como a coisa tinha dado certo - como havia manobrado para transformar um encontro "casual" com um capitalista de risco num convite para um jogo de pôquer regular com outros capitalistas que semearam sua nova companhia com suas perdas no pôquer e, mais tarde, com um modesto financiamento inicial. Agora, com um pequeno staff e um produto testado, o Triggit.com está prestes a ser lançado. Nos dois minutos seguintes, os dois empresários ardilosos trocaram histórias, o queixudo e septuagenário magnata da mídia contando detalhes de como quebrou o sindicato dos gráficos de jornais de Londres, o jovem iniciante magro enaltecendo a promessa espetacular das redes de relacionamento social. É difícil dizer quem estava apreciando mais a conversa. Mas como muitos no salão, eles tinham a sensação de que esse é um daqueles momentos mágicos que aparecem a cada década, quando nada é certo, tudo é possível, e qualquer coisa por ser transformada em ouro. É compreensível que alguns vejam aí o início da Bolha 2.0. Nos dois últimos anos, o dinheiro vem fluindo para companhias embrionárias fundadas por empresários jovens e inexperientes mascateando planos de negócios, muitos usando estratégias semelhantes para dominar mercados semelhantes com tecnologia semelhante. E o dinheiro está chegando não só de capitalistas de risco, mas de fundos de hedge e de investidores anjos (angel investors) que já se deram bem com uma companhia e querem fazê-lo de novo. Até agora, já ocorreu um punhado do tipo de ofertas públicas extravagantes que caracterizou a Bolha 1.0. Mas o foco dessa vez tem sido nos preços de tirar o fôlego que estão sendo oferecidos por grandes compradores como Google, Yahoo, Microsoft e a News Corp. de Murdoch, por empresas que oferecem rápido crescimento de receita, vistas de páginas e quantidade de acessos. E existem ainda outros sinais significativos como as agressivas guerras por talentos, e notícias de que o Google suplantou o Goldman Sachs e a McKinsey como o empregador mais desejado para pós-graduados de faculdades de primeira linha e programas de MBA. Os aluguéis dobraram no centro de Palo Alto, Califórnia, quando a Facebook e a Ning disputavam espaço com empresas de advocacia e de investimento de risco, e até circulam histórias de proprietários aceitando ações em vez de dinheiro para o pagamento do aluguel. Mesmo alguns dos blogueiros mais influentes como Michael Arrington do TechCrunch e Kara Swisher, do BoomTown, expressaram preocupações com as valorizações bizarras e a mentalidade de corrida do ouro. É tão profunda e generalizada a confiança que desta vez é diferente, que até a admissão do eBay de que pagou mais de US$ 1 bi a mais em sua badalada compra do Skype não é considerada uma anomalia. Steven Pearlstein
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