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Games têm melhor safra de títulos desde 2004

Para os adeptos dos videogames, o ponto alto do ano de 2006 foi o lançamento de novos consoles como o PlayStation 3, da Sony, e o Wii, da Nintendo; no segmento de jogos, poucos títulos de impacto chegaram ao mercado no ano passado. Este ano, em contraste, foi caracterizado por uma sucessão de experiências interativas fabulosas. Mesmo que o lançamento de Grand Theft Auto IV tenha sido adiado para o ano que vem, 2007 ofereceu a melhor safra de títulos desde a temporada de lançamentos do final de 2004, quando Halo 2, Grand Theft Auto: San Andreas e World of Warcraft estrearam.

Mesmo que os lançamentos previstos para 2008 incluam pesos pesados como o novo Grand Theft Auto e jogos como Spore e Super Smash Bros., o ano que vem dificilmente conseguirá oferecer um elenco de títulos mais importantes, intrigantes e simplesmente divertidos do que a safra 2007.

Melhor estréia: BioShock
É raro que um jogo novo chegue ao mercado sem muita publicidade e se torne uma sensação instantânea. Quando isso acontece, normalmente o título em questão oferece um estilo de jogo inédito ou singular, como foi o caso de Katamari Damacy, em 2004, ou do primeiro volume da série Guitar Hero, em 2005. Quando o formato é mais convencional, os jornalistas especializados e o público em geral percebem com muita antecedência quais serão os títulos mais interessantes. Mas não foi isso que aconteceu com BioShock.

A Take-Two Interactive, distribuidora responsável por levar o novo título ao mercado, lançou um jogo no segmento que talvez seja o de maior competitividade no mercado de videogames, o de jogos de combate em primeira pessoa, mas o design do título era tão inteligente que ele imediatamente disparou para as alturas ocupadas pelos melhores jogos de combate de todos os tempos. BioShock tem uma narrativa propelida pelo detalhadíssimo panorama de uma distopia submarina, e a trama se torna ainda mais interessante em função da irônica reviravolta final.

Parto mais difícil: a nova E3
O setor de videogames pode ser um dos poucos na economia em que os consumidores realmente se interessam pelos eventos setoriais. O fato se deve à posição que a Electronic Entertainment Expo (E3) ocupou por muito tempo como plataforma de lançamento para os melhores jogos que chegariam ao mercado na temporada de festas de final de ano. Este ano, a E3 sofreu uma redução radical de dimensão e foi transferida do monumental Centro de Convenções de Los Angeles para uma constelação de hotéis de luxo à beira-mar. A idéia era boa, mas se provou um pesadelo logístico, porque as demonstrações de novos produtos estavam espalhadas por pelo menos seis hotéis, bares e restaurantes diferentes, além de um hangar de aeroporto. A solução ideal para o ano que vem pode ser resumida em uma palavra ¿ ou melhor, duas: Las Vegas.

Melhor adaptação de uma propriedade intelectual idolatrada pelos fãs: The Lord of the Rings Online
A carnificina dramática e narrativa que poderia ter acontecido quando a Turbine começou a desenvolver um role-playing game online baseado nos livros da série O Senhor dos Anéis já estava fazendo com que os fãs de Tolkien começassem a estocar tochas. Mas eles não precisavam ter se preocupado. O jogo permite que os jogadores desenvolvam suas histórias pessoais na Terramédia sem pisotear o cânone sagrado da lenda do anel.

Melhores representações caretas do estado do setor: Halo 3 e Super Mario Galaxy
Halo 3 é um jogo de combate e ficção científica de acabamento impecável. Mas isso é tudo. Os recursos gráficos foram melhorados ainda mais, e alguns dos elementos online adicionais são acréscimos bem-vindos. Mas o título não passa de um refinamento da fórmula tradicional da série Halo, em lugar de constituir uma tentativa ousada de oferecer experiências novas. A qualidade de produção basta para gerar centenas de milhões de dólares em vendas, mas o jogo não inspira.

Super Mario Galaxy enfrenta obstáculos semelhantes. O título claramente passou por uma sintonia fina apurada, e é um acréscimo digno ao panteão da série Mario. Praticamente qualquer pessoa se diverte, com ele. Mas, como no caso de Halo 3, Super Mario Galaxy representa em determinado nível uma retomada dos modos clássicos de jogar. Em Halo, isso significa combater alienígenas mortíferos. Em Mario, significa saltar, se esquivar e recolher estrelas para libertar a princesa, que, depois de 20 anos, aprisionada em um castelo em estilo de desenho animado. O jogo é divertido, mas não passa disso. No entanto, agora que o designer Shigeru Miyamoto encerrou o trabalho nas versões de Mario e Zelda para o Wii, ele talvez possa se dedicar à criação de algo genuinamente novo.

Melhor resgate inesperado de um grande sistema de jogo: Ratchet & Clank: Tools of Destruction
É triste dizer, mas muitos dos títulos de grande orçamento e exclusivos para o PlayStation 3 da Sony lançados este ano, entre os quais Heavenly Sword e Lair, são, na melhor das hipóteses, medíocres. O jogo de ação e aventura Uncharted: Drake¿s Fortune parece mais forte, mas a luz mais brilhante no céu do PlayStation este ano foi o novo Ratchet & Clank, produzido pela Insomniac Games. A analogia talvez já tenha perdido a validade, mas jogar o novo Ratchet é mesmo como participar de um desenho animado, e essa é uma experiência rara.

Jogo do ano: Mass Effect
História e personagens não são tudo, mas esses componentes da narrativa sempre foram o ponto fraco dos videogames. Há décadas o setor compensa com ação frenética o que lhe falta em profundidade dramática. E essa é uma boa razão para que os jogos atraiam primordialmente o grupo etário e social que mais aprecia ação em ritmo frenético: os homens jovens.

Em sua escolha de ambiente ¿ a ficção científica -, Mass Effect não demonstra grande ambição. Mas o fato de que o foco do jogo seja o desenvolvimento dos personagens, o crescimento pessoal e a tensão moral, alimentado por um sistema gráfico concebido para evocar simpatia emocional, faz de Mass Effect o caminho do futuro. O título talvez sirva como arauto de uma era na qual trama e personagem sejam tão importantes quanto as explosões, em um videogame.


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