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Internacional 

Rússia ameaça se retirar de pacto de armas em cinco meses

A Rússia anunciou no sábado que irá suspender sua participação em um pacto para limitar forças militares na Europa em cinco meses, a menos que sejam feitas mudanças no tratado.

A iniciativa russa acontece após meses de disputas verbais com a Europa e os Estados Unidos sobre várias questões, incluindo os planos de Washington para um escudo de mísseis no leste europeu, uma proposta de independência de Kosovo da Sérvia e as políticas energéticas de Moscou.

"As ameaças da Rússia se materializaram e não excluo a possibilidade de que mais iniciativas serão tomadas", disse Yevgeny Volk, diretor do instituto de estudos Heritage Foundation, em Washington.

"Se não houver um acordo com os Estados Unidos para o escudo de mísseis, a Rússia poderá potencialmente cumprir suas ameaças de redirecionar mísseis (para a Europa)."

O Kremlin informou que o presidente Vladimir Putin havia assinado um decreto suspendendo a participação da Rússia no tratado de Forças Convencionais na Europa (FCE) por razões de "segurança nacional."

O pacto foi adotado em 1990, a fim de limitar o número de tanques, artilharia pesada e aviões de combate enviados e estacionados entre o Atlântico e as montanhas Urais da Rússia.

A Rússia criticou o Ocidente por sua recusa em ratificar uma versão do tratado com emendas que levem em conta a nova situação pós-Guerra Fria. As negociações no mês passado com os países membros da Otan terminaram sem progresso.

O pacto exige que os países participantes notifiquem os outros Estados-membros 150 dias antes de suspenderem sua participação. O ministro das Relações Exteriores russo disse que o processo de notificação teria início no sábado.

"A moratória russa do pacto de FCE não significa que estamos fechando as portas para o diálogo", disse ele em comunicado.

Se não for encontrada uma solução durante o período de cinco meses, a Rússia vai parar de fornecer informações e interromper inspeções de armamento pesado.

Um porta-voz da Otan disse no sábado: "Se for confirmada, o secretário-geral lamenta a decisão. Os aliados consideram este tratado como um importante fundamento da segurança européia."

Um porta-voz do líder da Política Externa da União Européia, Javier Solana, disse que a UE também lamenta a iniciativa russa. A Grã-Bretanha também declarou que o FCE é fundamental para a segurança européia.

O vice-ministro de Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski, disse à Reuters que a decisão da Rússia é "desconcertante."

"Talvez seja um pretexto, o que pode estar relacionado aos planos de construir o escudo de mísseis na Polônia e na República Tcheca", disse ele.

"Também pode ter relação com questões internas, como uma forma de mostrar a força da Rússia antes da campanha presidencial."

Dmitry Zhdannikov

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