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Internacional 

Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão

Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão
EUA elogiam combate ao terrrorismo; Índia diz que é 'assunto interno'.

 

  O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, deixou sua residência oficial em Islamabad pela última vez depois de anunciar sua renúncia em um discurso pela TV nesta segunda-feira.

Musharraf renunciou ao cargo para evitar o processo de impeachment contra ele movido por partidos do governo de coalizão, que o acusam de incompetência e de violar a Constituição.

No discurso, Musharraf disse que tomou a decisão pelo bem da nação que, na opinião dele, sairia perdendo com um processo de impeachment, independentemente do resultado.

Ele disse não temer as acusações contra ele. "Nem mesmo uma única acusação contra mim pode ser provada", disse.

Mas afirmou que não é hora para mais confrontos e que está renunciando depois de consultar seus conselheiros.

O presidente do Senado, Muhammed Mian Soomro, deve assumir a Presidência interinamente até que as duas câmaras do Parlamento e as assembléias provinciais escolham um novo presidente.

Reação

O correspondente da BBC em Islamabad Mark Dummett disse que há uma sensação de alívio no Paquistão, já que um longo processo de impeachment foi evitado.

Dummett diz que a principal questão é se a coalizão governante, que vem pedindo a saída de Musharraf desde as eleições de fevereiro, conseguirá permanecer unida e cumprir suas promessas.

Os partidos que formam o governo de coalizão terão que chegar a um acordo sobre a escolha do novo presidente e depois terão de convencer aliados como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha e vizinhos como a Índia e o Afeganistão de que estão comprometidos em derrotar a militância islâmica e o terrorismo, diz Dummett.

O mercado de ações em Karachi subiu 4% com a notícia da renúncia. Muitos investidores parecem ter visto a decisão como um fim à incerteza política.

Há relatos de comemorações em várias cidades, com pessoas dançando nas ruas.

Ao se pronunciar sobre a renúncia de Musharraf, a secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, disse que ele é "um amigo dos Estados Unidos e um dos parceiros mais comprometidos com a guerra contra o terrorismo e o extremismo".

Rice disse ainda que os Estados Unidos irão trabalhar com os novos líderes paquistaneses, convencendo-os da necessidade de reduzir o "crescimento do extremismo".

O governo britânico desejou sorte a Musharraf, mas enfatizou que as relações entre os dois países não dependem de um único indivíduo.

A Índia disse que não tinha nenhum comentário a fazer já que a renúncia é um "assunto interno" do Paquistão.

O governo do Afeganistão, cujo presidente Hamid Karzai tinha uma relação difícil com Musharraf, afirmou esperar que a saída dele ajude a incentivar a democracia nos dois países.

'Alegações falsas'

Na semana retrasada, os líderes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, e da Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês), liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, anunciaram que dariam início aos procedimentos de impeachment de Musharraf.

Os dois partidos, que são os maiores do país, ameaçavam enviar uma moção de impeachment ao Parlamento ainda nesta semana e afirmavam ter condições de mobilizar os dois terços necessários para aprová-la.

Durante o discurso, Musharraf disse que "alegações falsas" foram feitas contra ele por pessoas que "tentaram transformar a verdade em mentiras".

Ele defendeu suas ações nos últimos nove anos, dizendo que liderou o Paquistão em algumas de suas piores crises desde a independência em 1947, incluindo uma com a Índia que quase acabou em guerra e as conseqüências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que deram início à chamada guerra contra o terror.

Ele disse ainda que nos últimos oito meses, desde que deixou de exercer os poderes do Executivo, a economia do Paquistão vem se deteriorando.

Musharraf disse que os erros que cometeu no governo não foram intencionais e que coloca seu futuro "nas mãos do povo".

Musharraf, ex-comandante do Exército e um aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, chegou ao poder através de um golpe de Estado sem violência em 1999.

No ano passado, ele foi forçado a deixar o controle das Forças Armadas. A imagem pública de Musharraf ficou prejudicada depois que ele decidiu suspender o presidente da Suprema Corte e quase 60 juízes para evitar que declarassem sua eleição como presidente, em outubro, inválida.

Os partidos de oposição chegaram ao governo de coalizão em fevereiro depois de uma vitória esmagadora nas urnas, enfraquecendo ainda mais o governo de Musharraf. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte:http://www.estadao.com.br/geral/not_ger226193,0.htm


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