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Internacional 

Egito critica Israel por fugir de responsabilidades sobre Gaza

CAIRO - O Egito rechaçou com veemência a idéia divulgada por Israel de que o Estado judeu iria se isentar de responsabilidades com a Faixa de Gaza, e garantiu que sua fronteira com o território palestino voltará à normalidade. "É uma presunção incorreta", disse o porta-voz do Ministério do Exterior egípcio, Hossam Zaki, sobre sugestão de Israel de que deixaria de atender as necessidades básicas de Gaza uma vez que a fronteira com o Egito foi aberta.

O vice-ministro da Defesa israelense, Matan Vilnai, disse que o Estado judeu quer se isentar completamente de responsabilidades na Faixa de Gaza, inclusive de suprimento de água e eletricidade, uma vez que a fronteira sul do território com o Egito foi explodida. "A situação atual é apenas uma exceção e por razões temporárias" afirmou o porta-voz egípcio. "A fronteira voltará ao normal".

 

Não ficou imediatamente claro se Vilnai estava expressando uma posição de governo, ou testando a receptividade mundial para a idéia. Em privado, oficiais israelenses diziam que a explosão de passagens no muro fronteiriço por militantes palestinos era um desdobramento positivo, já que iria aliviar a pressão sobre Israel para manter atendendo necessidades básicas de Gaza, e poderia abrir caminho para uma desconexão completa com a faixa costeira.

 

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução condenando o bloqueio israelense de Gaza e as ações militares de Israel nos territórios palestinos. A resolução, que exige a suspensão do bloqueio de Gaza e pede uma ação internacional para proteger os civis palestinos, foi aprovada por 30 votos a favor, nenhum contra e 15 abstenções numa reunião de emergência do conselho de 47 membros.

 

Os países europeus se abstiveram argumentando que a resolução não tratava dos disparos de foguetes por militantes palestinos contra território israelense. Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU debate um documento condenando a decisão de Israel de bloquear o envio de combustível e alimentos para Gaza e fechar as passagens para o território.Todos os membros do conselho concordaram com a proposta de texto menos os Estados Unidos.

 

Esperança palestina

 

Guardas fronteiriços egípcios tentavam controlar uma multidão de palestinos que pelo segundo dia cruzava a fronteira para comprar produtos básicos na cidade próxima de Rafah. Os guardas impediam que alguns palestinos fossem mais longe para o interior do Egito, mas não tentavam selar novamente a fronteira.

 

Na quarta, militantes explodiram o muro que divide os dois territórios, e estimados 50.000 palestinos de Gaza, sufocados pelo bloqueio total israelense desde a semana passada, foram às compras no Egito. O cerco israelense é uma tentativa de acabar com o lançamento de foguetes de fabricação caseira por militantes palestinos contra o Estado judeu.

 

Nesses dois dias, palestinos voltavam do Egito com suprimentos de comida, cimento, cigarros e outros bens escassos na faixa. Em resposta, Israel deixou de entregar até mesmo diesel emergencial que ofereceu no domingo depois que o único gerador de energia de Gaza foi desligado. Autoridades palestinas afirmam que só têm combustível para manter a eletricidade até domingo.

 

Vilnai sugeriu que Israel vê o rompimento da fronteira como uma oportunidade para se desconectar completamente de Gaza, de onde se retirou em 2005 depois de 38 anos de ocupação. Entretanto, a comunidade internacional não aceita a afirmação de Israel de que a ocupação - e conseqüentemente suas responsabilidades para com os civis de Gaza - terminou inteiramente depois da retirada, já que o Estado judeu manteve o

controle de todos os acessos por terra, mar e ar do território. Israel continuaria atendendo as necessidades básicas de Gaza até que uma alternativa fosse encontrada, adiantou o vice-ministro.

 

Enquanto isso, os moradores de Gaza torcem para que a abertura da fronteira com o Egito seja permanente. Tanto Egito quanto Israel restringiram o movimento de pessoas e produtos para dentro e fora da faixa depois que o Hamas ganhou as eleições de 2006, e aumentou a restrição quando o grupo islâmico assumiu o controle da área à força.

 

"O Egito começou a agir nos deixando entrar. Pelo amor de Deus, por que eles não deixam que nós continuemos passando?" questionou Mohammed Abu Amra, um palestino atravessando a pé a fronteira. "Todo mundo está correndo para o Egito antes que eles fechem de novo".

 

A abertura da fronteira fez aumentar a popularidade do Hamas na região. Desde que o Hamas assumiu o controle total de Gaza - depois de expulsar o Fatah no ano passado - a fronteira de Gaza com o Egito tem estado fechada a maior parte do tempo.

 

Ajuda internacional

 

A agência das Nações Unidas que presta ajuda a refugiados palestinos pediu a países do Golfo Pérsico US$ 9.8 milhões para suprir necessidades urgentes dos moradores da Faixa de Gaza.

 

O dinheiro seria usado para a compra de remédios, alimentos e outros produtos básicos para os palestinos - especialmente para crianças e mulheres grávidas - sofrendo com um bloqueio israelense de Gaza, explicou Peter Ford, comissário-geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, UNRWA, na sigla em inglês. Também seria comprado combustível para os hospitais e oferecida ajuda financeira aos necessitados, acrescentou.

 

"O cerco (israelense) levou a um significativo aumento das dificuldades dos civis palestinos", acusou Ford.


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