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Oposição no Quênia convoca nova marcha para o dia 8
Quinta-Feira, 03/01/2008, 12:49am (GMT-12)

Onda de violência provocada por crise política já deixou mais de 100 mil desabrigados no país

AP

Onda de violência provocada por crise política já deixou mais de 100 mil desabrigados no país

NAIRÓBI - A oposição queniana cancelou nesta quinta-feira, 3, a marcha convocada para contestar a reeleição do presidente Mwai Kibaki, numa tentativa de encerrar os confrontos entre manifestantes e policiais que já deixaram mais de 300 mortos e 100 mil desabrigados no país. Segundo William Ruto,integrantes da cúpula do Movimento Democrático Laranja (ODM), que reivindica sua vitória no pleito, outro encontro pacífico está previsto para o próximo dia 8.

Mais cedo, tropas de choque da polícia dispersaram com jatos d'água e gás lacrimogêneo manifestantes que tentavam participar da marcha de "um milhão de homens" convocada pela oposição, que muitos temiam poderia piorar a violência política. Não houve, entretanto, a concentração esperada pela oposição. Pequenos grupos de centenas de pessoas tentavam chegar de diferentes direções até o centro de Nairóbi, enquanto a polícia os esperava em pontos-chave.

 

O líder oposicionista Raila Odinga convocou a marcha para protestar contra a reeleição em 27 de dezembro do presidente Mwai Kibaki, denunciando que a eleição foi fraudada. A disputa política degenerou em violência étnica em todo o país. Odinga afirmou que a marcha seria pacífica. Ainda assim, o governo proibiu a manifestação e colocou reforços policiais nas ruas.

 

Dirigentes da oposição expressaram o apoio a uma mediação para colocar fim à crise política. O anúncio foi feito em entrevista coletiva por Ruto e Najib Balala. Como mediador, a oposição aceita o chefe de Estado de Gana e presidente rotativo da União Africana, John Kufuor, mas o governo de Nairóbi o impediu entrar ao país nas últimas horas, segundo Ruto.

 

"Não deixaram Kufuor entrar (no Quênia) porque, segundo o governo, não há crise no Quênia, e não é preciso nenhum tipo de mediação", acrescentou o dirigente político. Kufuor deveria consultar Kibaki na quarta-feira antes de empreender qualquer viagem a Nairóbi.

 

A mediação está sendo impulsionada por vários países, especialmente pelo Reino Unido e Estados Unidos. Inicialmente, a ODM apontou como mediador na crise o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, mas, segundo os dirigentes do partido, os Estados Unidos se opuseram a isso e, como alternativa, indicou Kufuor, que conta com o apoio do Reino Unido.

 

Os dois lados se acusam mutuamente pela violência étnica. Odinga diz que não se reunirá com Kibaki até que ele reconheça ter perdido a eleição, algo que o presidente não fará. Numa tentativa de aliviar a tensão, o prêmio Nobel da Paz arcebispo anglicano Desmond Tutu, da África do Sul, viajou a Nairóbi a fim de conversar com Odinga.

 

Depois do encontro, Tutu afirmou que Odinga estava aberto para "a possibilidade de mediação". Tutu adiantou que pretende reunir-se também com Kibaki. Mas o porta-voz governamental Alfred Mútua adiantou que Kibaki não tem planos para tal encontro.