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MOSCOU - O fornecimento de combustível nuclear russo à usina iraniana de Bushehr torna desnecessário que o Irã mantenha seu programa de enriquecimento de urânio, disse o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista publicada na quarta-feira pelo jornal Vremya Novostei. Ele afirmou ainda que as discussões das grandes potências sobre o programa nuclear do Irã não devem incluir a perspectiva de uma "mudança de regime" naquele país. "Acreditamos que o Irã não tem necessidade econômica de manter seu programa de enriquecimento de urânio", disse Lavrov ao jornal. "Estamos tentando persuadir os iranianos de que congelar o programa é uma vantagem para eles, pois levaria imediatamente a conversas com todos os seis [grandes países, inclusive EUA e Rússia, que negociam a questão nuclear]." O Irã, segundo Lavrov, está ciente de que os russos vão "congelar a cooperação" caso haja qualquer desvio em relação aos acordos firmados para a construção da usina de Bushehr sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU). A Rússia entregou neste mês o primeiro carregamento de 80 toneladas de combustível nuclear a Busheh, uma obra de 1 bilhão de dólares. O Ocidente suspeita que o Irã possa tentar desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega. O governo dos EUA disse que a entrega do material russo pode servir para demover o Irã do programa de enriquecimento, mas uma autoridade iraniana declarou que uma coisa não tem nada a ver com a outra. A Organização das Nações Unidas (ONU) já impôs dois pacotes de sanções a Teerã por sua recusa em suspender o enriquecimento. De acordo com Lavrov, as grandes potências -- EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha -- têm autoridade apenas para avaliar o programa nuclear iraniano. "Se, ao realizar esses objetivos declarados, nossos parceiros norte-americanos buscarem o objetivo de uma mudança de regime, essa seria uma parceria inapropriada, seria uma alteração das políticas, e nós nos oporíamos."
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