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Internacional 

Presidente da Colômbia aceita zona de encontro com as Farc

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, aceitou nesta sexta-feira, 7, a criação de uma zona de encontro para negociar diretamente com a maior guerrilha de esquerda do país a libertação de um grupo de reféns, o que inclui a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt.

 

A decisão do dirigente indica um avanço nos esforços do governo colombiano para buscar a libertação dos reféns, alguns próximos de completar 10 anos em acampamentos dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no meio da selva.

 

 

"O governo manifesta a disposição de aceitá-la (a zona de encontro) com alguns pontos importantes a se levar em conta: deve ser ao redor de 150 quilômetros quadrados, na zona rural, onde não há postos militares ou policiais que sejam necessários remover", disse Uribe em um evento do governo.

 

 

O presidente declarou que essa zona - uma proposta da Igreja Católica feita na manhã desta sexta-feira - deve estar em uma região com pouca população civil, com presença de observadores internacionais e sem pessoas armadas. Segundo o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, o acordo terá duração de 30 dias.

 

 

Uribe disse que seu representante para a paz, Luis Carlos Restrepo, autorizou o encontro direto com as Farc e deve definir conjuntamente com os rebeldes e com a Igreja Católica o local do encontro.

 

 

Em dezembro de 2005, a Colômbia aceitou a criação de uma zona de encontro de 180 quilômetros quadrados em uma região montanhosa ao sudoeste do país, proposta pela Espanha, França e Suíça, mas a guerrilha rejeitou a iniciativa.

 

Pessimismo

 

Como uma negociação em termos parecidos não avançou em 2005, muitos colombianos mostraram pessimismo diante da possibilidade de que a iniciativa de Uribe leve à libertação dos reféns. Para o ex-assessor governamental de processos de paz Lázaro Viveros, a proposta "não produzirá efeitos positivos". "É o mesmo do mesmo do que temos visto ao longo desses cinco anos", disse ele ao jornal El Tiempo.

 

Para outros analistas, no entanto, o trunfo do gesto de Uribe pode estar no reconhecimento externo da iniciativa, e na eventual pressão exercida por outros países com influência no processo. É o caso, por exemplo, da França, cujo presidente, Nicolas Sarkozy, passou a intermediar as negociações com as Farc nos últimos meses.

 

Para a senadora colombiana de oposição Piedad Córdoba - responsável pela aproximação entre Uribe e o presidente Hugo Chávez no começo do segundo semestre - é possível até que o líder venezuelano retorne ao processo. "Ele (Chávez) disse que se em um dado momento o presidente Uribe pedir sua presença para ajudar no acordo humanitário, ele esqueceria o que ocorreu e estaria disposto a contribuir", disse ela, referindo-se às desavenças entre os dois presidentes, o que terminou com a retirada do líder venezuelano das negociações.

 

Esforços intensificados

 

Uribe intensificou seus esforços para libertar ao menos 49 reféns em poder das Farc depois de acusar o presidente Chávez de desrespeitar as regras impostas por ele para as negociações e suspender a mediação do venezuelano. Na última sexta-feira, 30, o Exército colombiano confiscou provas de vida de 16 reféns que seriam entregues ao presidente venezuelano, numa prova de que os contatos entre Chávez e os guerrilheiros estavam caminhando.

 

Imagens de vídeo que constavam junto do material mostravam a ex-candidata Betancourt com saúde bastante debilitada. Em declarações a nesta sexta-feira, o ministro da Defesa Santos também disse que o Governo solicitou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que busque com as Farc uma permissão para "verificar o estado de saúde" dos reféns.

 

Também nesta sexta-feira, a possibilidade de que haja um encontro entre Uribe e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a posse de Cristina Kirchner, no próximo dia 10, voltou a ser confirmado por fontes na chancelaria brasileira. A reunião deve acontecer na próxima segunda-feira, 10, durante a posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner.


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