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Internacional 

Chavistas e oposição disputam significado do 'Dia do Estudante'

Efe

Manifestantes favoráveis à reforma constitucional proposta por Chávez se concentram em Caracas

CARACAS - Estudantes favoráveis e contrários à reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez concentraram-se em pontos diferentes de Caracas nesta quarta-feira, 21, para manifestarem suas posições sobre o referendo do próximo dia 2. Na data, a Venezuela decidirá se aceita ou não o pacote de mudança.

 

Embora defendam posições diametralmente opostas, chavistas e oposicionistas escolheram a mesma data por um motivo simbólico. A Venezuela comemora em 21 de novembro o "Dia do Estudante", uma referência a uma manifestação estudantil ocorrida em 1957 contra um referendo que daria ao ditador Marcos Pérez Jiménez o direito à reeleição.

 

Como é comum na Venezuela, cada lado defende o simbolismo mais favorável à sua causa. Para os oposicionistas, a relação é direta: entre as mudanças constitucionais propostas por Chávez, está a possibilidade de reeleição indefinida do presidente.

 

"No dia de hoje vamos nos concentrar aqui para celebrar o Dia do Estudante. Esta praça tem um valor emocional para nós, tem um grande valor porque aqui nos concentramos desde o primeiro dia e vamos batizar esta praça como a praça onde em 2007 a juventude se expressou pela primeira vez (…). Nós temos a mesma esperança daqueles estudantes de então, e por isso escolhemos este ponto", explicou ao jornal El Universal o líder do movimento estudantil anti-Chávez Yon Goicoechea.

 

Os chavistas, por sua vez, também vêem a data como um dia de luta pela democracia. Para estes estudantes, a reforma proposta por Chávez é o caminho para a "construção das bases para alcançarmos uma sociedade mais justa", segundo declarações do líder chavista César Trómpiz à estatal Agência Bolivariana de Notícias (ABN).

 

Ainda segundo Trómpiz, o objetivo da marcha pró-reforma é "demonstrar ao mundo que a batalha e o compromisso com a revolução seguem mais fortes do que nunca".

 

Anunciada por Chávez como um instrumento para o aprofundamento da revolução socialista que ele diz estar implementando na Venezuela, a proposta de reforma constitucional causa controvérsia em setores da oposição. Além do fim de limites à reeleição presidencial, as mudanças incluem propostas polêmicas como a possibilidade de censura à imprensa em caso de estado de exceção e a ampliação do mandato presidencial.

 

Concentração

 

O protesto anti-Chávez conta com a participação de alunos da Universidade Católica Andrés Bello, Universidade Central de Venezuela e Universidade Simón Bolívar, que concentraram ao longo da manhã desta quarta-feira na Praça Brión de Chacaíto.

 

De acordo com declarações de Goicoechea ao El Universal, os jovens aproveitarão o protesto para anunciar ao país sua posição acerca do plebiscito do próximo dia 2.

 

"Discutimos durante meses e chegamos a uma posição honesta, e vamos nos dirigir ao país explicando todas as nossas limitações, mas também explicaremos nossas possibilidades e vamos dizer o que somos capazes de fazer e de não fazer e o que acreditamos que o país deve fazes", disse Goicoechea.

 

Do lado Chavista, a marcha conta a participação de estudantes de diferentes universidades e missões educativas, e partiria da Praça Venezuela em direção ao palácio presidencial de Miraflores.

 

A concentração teve clima de festa, e contou com uma apresentação musical. Segundo a ABN, os estudantes devem se encontrar ao fim da marcha com o presidente Chávez, que voltar de um giro por Irã, França e Portugal.

Agências internacionais

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