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Internacional 

Musharraf se acha o ideal para liderar democracia no Paquistão

O ex-jogador Imran Khan estava em prisão domiciliar desde o início do estado de exceção

Reuters

O ex-jogador Imran Khan estava em prisão domiciliar desde o início do estado de exceção

ISLAMABAD - O canal de TV britânico Sky News disse nesta quarta-feira, 14, que o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, afirmou em entrevista que considerou renunciar. Segundo a emissora, que deve exibir a entrevista íntegra nesta quarta, Musharraf afirmou ter avaliado a possibilidade, mas agora sente que é o homem certo para liderar o Paquistão rumo à democracia.

 

As autoridades paquistanesas detiveram nesta quarta o dirigente do partido opositor Tehreek-e-Insaf, o ex-jogador de críquete Imran Khan, e outros líderes políticos, entre eles o presidente do Partido Popular do Paquistão (PPP), durante atos de protesto contra o presidente Musharraf e o estado de exceção.

 

Khan tinha sido um dos líderes políticos colocados em prisão domiciliar horas após a declaração do estado de exceção, no dia 3, mas conseguiu burlar a vigilância policial e escapar de sua casa.

 

Após quase dez dias sem notícias suas, o político reapareceu um ato público em uma universidade de Lahore, onde estava previsto um protesto contra o regime de Pervez Musharraf. Pouco após sua chegada ao centro, um grupo de homens o levou pela força, e fontes de seu partido asseguraram que Khan está sob custódia policial.

 

O presidente do PPP na região de Punjab, Shah Mehmood, que liderava uma caravana de protesto da qual participavam centenas de ativistas, foi detido junto com outros três altos cargos do partido, confirmou o próprio político por telefone ao canal Dawn.

 

Mehmood convocou os seguidores dos partidos opositores a "sair às ruas e lutar pela democracia", unindo-se à marcha convocada pelo PPP, que partiu na terça-feira de Lahore (leste) rumo a Islamabad, em um percurso que durará vários dias.

 

Por causa da declaração do estado de exceção, as autoridades lançaram uma onda de detenções que afetaram milhares de opositores ao regime de Musharraf, além da vários magistrados.

 

Prisão domiciliar

 

Sob prisão domiciliar, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto pediu na terça a renúncia do presidente paquistanês, dizendo que a decisão do general de declarar o estado de emergência acabou com o "plano para a democratização" do Paquistão.

 

Benazir defendeu a união de todas as forças de oposição contra Musharraf e descartou a possibilidade de participar de um futuro governo compartilhado com o general. Ela também disse que seu Partido Popular do Paquistão (PPP) pode boicotar as eleições parlamentares que Musharraf prometeu realizar em 9 de janeiro.

 

O ex-premiê Nawaz Sharif saudou a declaração de Benazir e pediu a ela e a outros setores da oposição que trabalhem juntos para reinstalar os juízes da Suprema Corte que foram destituídos pelo presidente no dia 3.

 

Sharif, deposto em 1999 por Musharraf, disse que havia escrito a Benazir oferecendo sua colaboração se ela tomasse posição contra o presidente e deixasse claras quais foram as promessas que buscou do líder paquistanês em suas negociações. Musharraf enviou na terça uma delegação à Arábia Saudita para oferecer a Sharif a reconciliação política.

 

O presidente americano, George W. Bush, quer que o estado de emergência no Paquistão seja levantado antes das eleições parlamentares, disse na terça a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. Ela ressaltou que Bush também quer que Musharraf deixe a farda.

 

Bush enviou também na terça o vice-secretário de Estado John Negroponte ao Paquistão para dizer a Musharraf que levante logo o estado de emergência. Segundo The New York Times, Washington continua apoiando Musharraf, um aliado-chave em sua luta contra o terror, mas teme que os erros do presidente paquistanês possam forçá-lo a deixar o poder.

Agências internacionais

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