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Internacional 

Cristina tem melhor eleição que seu marido em 2003

BUENOS AIRES - O resultado das eleições presidenciais nas diferentes províncias argentinas mostram um cenário muito mais favorável à Cristina Fernández de Kirchner do que quando seu marido, Néstor Kirchner, foi eleito, em 2003, com apenas 22% dos votos. Com cerca de 94% das urnas apuradas, além de conseguir 44% dos votos e uma diferença de mais de 20 pontos de sua adversária, a presidente eleita ganhou em 21 dos 24 colégios eleitorais.

Quando foi eleito antes de chegar ao segundo turno porque seu adversário, Carlos Menem, desistiu do pleito, Kirchner havia conseguido ganhar somente em oito províncias: Buenos Aires, Chubut, Formosa, Jujuy, Neuquén, Río Negro, Santa Cruz e Tierra del Fuego.

 

Cristina só não conseguiu vencer na Capital Federal, reduto tradicional de oposição ao governo; em San Luis, feudo do candidato de oposição Alberto Rodriguez Saá; em Rosario, onde Rubén Giustiniani, vice de Elisa Carrió, captou os votos socialistas para sua chapa; e na província de Córdoba, onde pagou o preço pela briga política entre os dois candidatos a governador Juan Schiaretti e Luis Juez, que tiveram uma eleição apertada e marcada por denúncias de fraude, recentemente.

 

Quando Kirchner foi eleito por abandono, depois de obter somente 22,24% dos votos no primeiro turno das eleições, muitos duvidaram de sua governabilidade. Poucos acreditaram que ele chegaria ao final do seu mandato e pairava sobre o ar o fantasma da queda de cinco presidentes em menos de um mês, e a fuga de Fernando De la Rúa, de helicóptero, da Casa Rosada.

 

Ao assumir, a concentração de poder passou a ser a principal obsessão de Kirchner. Por isso, Kirchner foi atrás de todos aqueles que não lhe demonstraram muita simpatia e tratou de seduzi-los, qualquer que fosse o partido a que pertencessem. Uma estratégia que gerou muitas críticas por parte da oposição, que acusou o presidente de "cooptar para não receber críticas". Até o vice-presidente de Cristina é do partido opositor UCR- União Cívica Radical.

 

Kirchner conseguiu nessa eleição não só eleger sua mulher com ampla maioria, mas também somar poder em todo o país. Esse apoio todo está intimamente ligado ao sucesso da economia nos próximos anos, porque a chave da vitória K foi o êxito da economia.

 

O analista político Carlos Fara explica que "depois da crise de 2001, a economia se estabilizou, tem mais empregos e melhores salários e a sociedade não quer arriscar a mudar de governo". Vale recordar que as alianças e os apoios funcionam enquanto o time está ganhando.

 

Cristina fez o discurso da vitória por volta das 23h30 (horário de Brasília) na noite de domingo. Em seu discurso, a senadora e primeira dama afirmou que sua vitória representa também uma questão de gênero e chamou as mulheres argentinas a participarem da luta política. Cristina agradeceu a todos e se emocionou ao falar do marido, o atual presidente Néstor Kirchner.

 

Cristina disse que tem "uma dupla responsabilidade" após ser escolhida presidente segundo dados oficiais provisórios do pleito realizado neste domingo."Tenho uma dupla responsabilidade, como presidente e como mulher", afirmou."Convoco minhas irmãs de gênero, donas de casa, mulheres empresárias e profissionais, operárias das fábricas, estudantes das universidades", sustentou. "Sei que podemos desenvolver uma grande tarefa por nossas aptidões especiais, por termos sido cidadãs do privado e do público, por termos articulado o mundo da família e da militância. E por termos feito bem as duas coisas", apontou.

 

Dificuldades do governo

 

Apesar dos desafios da nova presidente não serem tão diferentes dos enfrentados por Kirchner, sua gestão deve adaptar-se à evolução de temas sensíveis, que incluem uma inflação crescente, uma escassez energética e a necessidade de captar novos investimentos.

 

O projeto internacional de Cristina Kirchner é estabelecer relações com todo o planeta, mas isso implica no difícil desafio de manter tanto laços estreitos com Chávez, o líder da cruzada anti-EUA na América Latina, quanto com Washington, que ficou distante de Néstor Kirchner.

 

Ela também herdará um conflito ambiental com o Uruguai, uma comunicação amistosa com o Brasil embora haja tensões comerciais e ainda uma relação instável com a presidente chilena, Michelle Bachelet, por causa da redução no suprimento de gás da Argentina ao Chile.

 

Problemas no pleito

 

A falta de cédulas de votação da oposição na província de Buenos Aires levou a um adiamento de uma hora no fechamento das urnas na capital. O temor de que houvesse irregularidades na eleição, já que neste ano duas disputas estaduais foram questionadas pelos partidos derrotados, motivou a oposição a montar uma fiscalização conjunta.

 

Dezenas de eleitores telefonaram às emissoras de rádio denunciando que não haviam conseguido votar por causa da falta das cédulas de partidos da oposição. A organização não-governamental Poder Cidadão, especializada no acompanhamento de instituições públicas, informou ter recebido mais de 200 ligações ao longo do dia.

Marina Guimaraes

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