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É o próprio anticristo!" Assim o ex-presidente Carlos Menem qualificou seu inimigo e atual presidente, Néstor Kirchner. Menem - que governou a Argentina entre 1989 e 1999 e integra o mesmo Partido Justicialista (Peronista) do rival - afirmou que Kirchner "não é peronista". "Ele é populista, e do pior tipo. É o anticristo!"
Kirchner, nos últimos quatro anos e meio encarregou-se de destruir o poder residual de Menem - que perdeu até mesmo o controle de seu reduto, a Província de La Rioja, para aliados kirchneristas. Segundo o ex-presidente, a Argentina mergulhará em uma grande crise econômica depois do domingo, quando a primeira-dama e senadora Cristina Kirchner deve vencer a eleição presidencial no país. Menem apóia a candidatura de Alberto Rodríguez Saá, irmão do ex-presidente provisório Adolfo Rodríguez Saá, quarto colocado nas pesquisas. Ontem a jornada eleitoral foi marcada pela troca de acusações entre o governo e os líderes da oposição. A candidata Elisa Carrió, da centro-esquerdista Coalizão Cívica, segunda colocada nas pesquisas, pediu o voto dos indecisos (segundo as pesquisas, de 8% a 17% do total de eleitores) e até dos eleitores do casal Kirchner. "Identifico-me mais com as mulheres argentinas do que Cristina", disse, acrescentando que chegará a um segundo turno. Segundo pesquisa da consultoria Delfos, a participação dos argentinos deve ser a menor desde a volta à democracia em 1983. Pelo menos 30% dos eleitores, de acordo com a sondagem, estão dispostos a deixar de lado o direito ao voto. SUOR FRIO A poucos dias das eleições, pesquisas indicam que Cristina deve obter entre 42% e 43% dos votos. A margem de erro é, em média, de 5% - o que abriria a possibilidade de a primeira-dama não vencer a eleição no primeiro turno e causa suor frio nos assessores da campanha do governo. Segundo a Constituição, vence o primeiro turno quem conseguir mais de 40% dos votos, desde que a diferença para o segundo colocado seja superior a 10 pontos. Elisa Carrió sobe nas pesquisas atraindo o voto útil dos eleitores anti-Kirchner. Uma sondagem divulgada ontem pela consultoria Giacobbe e Associados indica que Cristina teria 42,6% dos votos. Elisa contaria com 22,8%. O ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, do partido Uma Nação Avançada (UNA), ficaria com 15,8%. O quarto colocado é Rodríguez Saá, com 9,1%. Pela internet circulam pesquisas que indicam que Cristina não passaria dos 33%. Uma delas, supostamente encomendada pela embaixada dos EUA, daria a Cristina com 31,3% dos votos, enquanto que Rodriguez Saá seria o segundo, com 18,5%. Carrió ficaria em terceiro com 16%. Kirchner, num discurso em Pilar, Província de Buenos Aires, pediu apoio para a mulher e lembrou que seu governo resgatou a Argentina da crise: "Contra boa memória, nada pode", disse. Cristina rejeitou ontem as críticas à sua forma de vestir. "Não me fantasiarei de pobre", afirmou. "Por que teria de fantasiar-me de pobre para ser uma boa líder política?", perguntou, ante as observações de que usa vestidos caros e jóias. "Sempre gostei de me vestir bem e de me maquiar muito", admitiu Cristina, que afirmou que as críticas em relação a isso partem de setores "machistas" e "misóginos". Ariel Palacios
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