O levantador Ricardinho vai virar cidadão italiano. A informação foi confirmada ontem, pela mulher do jogador, Fabiane, que acrescentou: "Ele não joga mais pela seleção brasileira." Quanto à possibilidade de o jogador defender a seleção italiana, Fabiane, de Módena, por telefone, respondeu: "Ele vai conseguir a cidadania italiana, mas daí a jogar na seleção da Itália é outro passo, mesmo porque são dois anos de carência sem defender o Brasil." Ricardinho estava em uma festa de encerramento de ano, realizada em Módena para os esportistas da cidade.
Pelas regras da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) referentes a dupla cidadania, para jogar pelo novo país o atleta precisa estar afastado da seleção do país de origem por dois anos. Ricardinho, de 32 anos, está longe da seleção brasileira desde os Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho - foi cortado antes do início da competição por desentendimentos com o técnico Bernardo Rezende. Depois, o levantador chegou a ser incluído por Bernardinho na relação dos convocados para a Copa do Mundo do Japão, em novembro, em que o Brasil foi campeão, conquistando a vaga para a Olimpíada de Pequim, em 2008. A convocação, contudo, não se concretizou - o técnico Bernardinho pediu ao levantador que demonstrasse o desejo de se reaproximar do grupo.
Depois da Copa do Mundo, o atacante Giba, eleito o melhor jogador da competição, chegou a pedir a Ricardinho que conversasse "com os amigos da seleção". Mas o levantador manteve o silêncio. Talvez ainda se sentisse humilhado por ter sido cortado do Pan logo depois de ser eleito o melhor jogador da Liga Mundial. Quando deixou a seleção, disse que a "família Bernardinho" não existia mais.
O técnico Renan, atualmente treinando o Sysley Treviso, também tem dupla cidadania e teve a possibilidade de jogar pela seleção da Itália quando era atleta, mas não foi convocado. Ricardinho já atua no Cimone Módena como comunitário porque tem passaporte espanhol, obtido por causa do avô paterno.
"Eu já tenho a cidadania italiana, que estou repassando para ele e as meninas (as filhas Bianca e Júlia)", explicou Fabiane. Ter passaporte europeu e jogar como comunitário significa não precisar de visto de estrangeiro para trabalhar no vôlei italiano.