Sabendo

''''Sou alemão e não vou deixar a pressão me afetar''''
Segunda-Feira, 07/01/2008, 09:44am (GMT-2)

Na primeira entrevista exclusiva desde que foi contratado como o responsável por levar o Corinthians de volta para a Série A, Mano Menezes afirmou ao Estado que "emoção é para a torcida". E para parte da diretoria. "Sou descendente de alemão e estou centrado, focado. Não posso deixar toda a pressão que significa o Corinthians disputar a Série B me afetar. Sou o comandante e tenho de passar confiança. A emoção não vai me tirar o foco das decisões que vou tomar."

E as decisões serão muitas durante o ano. Frio e calculista, não precisou de contusão séria para abandonar a carreira de jogador. Percebeu que jogava mal. Investiu em sua formação. Fez Educação Física e começou a treinar times. Mudou sua vida, como quer fazer com o Corinthians.

Existem técnicos dizendo que você tem sorte em ser o treinador do Corinthians agora. Não será tão difícil subir para a Série A. Você será considerado o Messias. Sua carreira ganhará muita força...

Não é assim. Primeiro que nada será fácil para o Corinthians. O potencial dos times no Brasil é muito parecido. Sei de todo o bem que pode fazer para a minha carreira subir com o Corinthians. Mas, se eu me deixar levar pela emoção, pela pressão, não vou conseguir nada. O momento é de trabalho e concentração. A emoção não irá dominar o elenco. Ficará para a torcida que vai fazer muito pelo Corinthians neste ano.

No perfil dos jogadores que você pediu para o Corinthians, o time cresceu muito fisicamente...

Para jogadores técnicos brilharem, é necessário o trabalho de força de vários companheiros. E os técnicos também precisam ter físico para o futebol moderno. Havia vários jogadores baixos e frágeis por aqui. Isso pesa em momentos decisivos. Além disso, o grupo precisa se aprimorar muito fisicamente e treinar, trabalhar.

Além de mais força, você está trazendo jogadores vividos, maduros. Você acha que o Corinthians queimou etapas com Lulinha e Dentinho?

Queimou, sem dúvidas. O time não poderia depender desses jogadores tão jovens para não cair. Não sei por que, não me interessa. Mas não será assim daqui para a frente. Comigo eles irão ter ao lado atletas vividos até para orientá-los em momentos decisivos durante as partidas.

O Felipe não está desgastado demais com a torcida e entrará o ano pressionado?

Eu tive uma conversa particular com o Felipe. Falei de forma clara. Quando ele chegou ao Corinthians era mais um jogador. Graças a suas grandes partidas, se transformou no jogador do Corinthians. O ídolo aqui é ele. Cabe ao Felipe ser firme e mostrar o atleta de confiança da torcida. Para isso vai ter de trabalhar muito.

O que fez você confiar no Fábio Ferreira e afastar o Zelão, já que os dois davam festas juntos no ano passado?

O lado técnico. O Fábio Ferreira tem muito o que crescer como jogador, tem potencial. Agora ele não tem mais o direito de errar e sabe disso.

Você vai deixar a torcida participar das decisões do futebol no Corinthians?

Olha... Não será preciso. Respeito demais a torcida corintiana. Os torcedores podem ter a certeza de que faremos o trabalho que é necessário.

Ou seja: cada um no seu lugar?

Você não vai colocar para mim uma frase que não quero dizer. Os torcedores serão maravilhosos na arquibancada.

Como vai trabalhar com os jogadores traumatizados pelo rebaixamento?

Não haverá distinção no meu grupo. Todos estarão juntos, trabalhando muito. Os traumas e as feridas a gente irá curando dia-a-dia. O que passou não interessa mais.

O Campeonato Paulista será fundamental para trabalhar em paz para a Copa do Brasil e para o Brasileiro da Série B?

Sim. Precisamos de paz para trabalhar e ela só virá com resultados. Por tudo o que o Corinthians passou precisa começar bem o Paulista.

O time jogará no Pacaembu ou no Morumbi para mais gente?

A casa do Corinthians é o Pacaembu. O momento é para jogar em casa e ganhar.
Cosme Rímoli