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Julio Cesar brilha e ganha torcida paulista Quinta-Feira, 22/11/2007, 12:05am (GMT-12)
A provocação começou ainda no aquecimento. Na hora em que se exercitava e buscava bolas no gol, era acompanhado de assobios, vaias e os repetitivos gritos de “Rogério, Rogério!” Cena que se repetiu na hora do gol de Abreu, logo aos oito minutos de partida.
Júlio César aparentemente não se abalou com a reação das arquibancadas - na verdade, nem tão forte assim, mas suficiente para mexer com os nervos de quem está em observação. O número 1 da seleção foi responsável até por evitar vexame em casa, em três lances de perigo, antes e depois do gol.
O sangue-frio e o senso de colocação fizeram com que Júlio César saísse de campo tranqüilo, no intervalo. Se não foi reverenciado, também não teve de passar pelo constrangimento de ouvir novas vaias a caminho do vestiário. Parecia confiante de que o reconhecimento viria.
E veio, a partir dos 20 minutos do segundo tempo. Foi nesse momento que o goleiro da Internazionale de Milão fez um defesa dificílima na cabeçada de Abreu. Aí, o Morumbi se rendeu ao ex-goleiro do Flamengo.
Júlio César passou a ter o seu nome gritado por boa parte da torcida, que se “esqueceu" de Rogério Ceni. Ao final do jogo, ele só não foi mais aplaudido do que Luís Fabiano. E, ainda no gramado, foi cumprimentado por todo o time.
O goleiro seguiu à risca o compromisso assumido desde que desembarcou em São Paulo, na manhã de segunda-feira: o de entender a preferência pelo goleiro campeão brasileiro e não se aborrecer. “É normal, o público gosta de quem está perto”, afirmou várias vezes Julio Cesar, em tom conciliatório. Estava tranqüilo. A ponto de terça-feira, véspera da partida, descontrair-se jogando golfe no hotel em que a seleção estava concentrada.
A atitude do goleiro da Internazionale revela maturidade - a mesma que fez com que ganhasse a confiança de Roberto Mancini, treinador da equipe italiana, a ponto de colocar o experiente Toldo no banco de reservas. A regularidade no gol do poderoso - e controvertido - time milanês foi importante para que chegasse ao Mundial do ano passado, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, e fosse confirmado por Dunga como sucessor de Dida. Se ainda não é unanimidade, aos poucos Júlio César dobra a resistência e mostra que, embaixo das traves, o Brasil não tem com o que se preocupar. Almir Leite, Daniel Akstein Batista e Fábio Hecico
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