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No último dia 16 de agosto, o técnico Dunga completou um ano à frente da seleção brasileira, em data que se refere a sua estréia no cargo em amistoso contra a Noruega. Nesta segunda-feira, em Montpellier, os jogadores convocados para o amistoso contra a Argélia na próxima quarta se apresentam à comissão técnica, no começo simbólico da 'segunda temporada' do treinador no comando, com um cenário já distinto em relação ao encontrado pelo capitão do tetra logo após a Copa da Alemanha.
Aposta arriscada da direção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para 'sacudir' a seleção após a decepcionante campanha das estrelas de Carlos Alberto Parreira no Mundial da Alemanha, Dunga começou o trabalho sem nenhuma experiência anterior como treinador e, por isso, cercado de boa dose de desconfiança pública, apesar de sua identificação com o torcedor dos tempos de jogador. No entanto, uma série inicial de resultados satisfatórios, com direito a vitória por 3 a 0 sobre a Argentina, deu confiança ao novato treinador e ao grupo de novas caras da seleção, simbolizado por nomes como Elano e, a princípio, Daniel Carvalho. No começo de sua gestão à frente da seleção, o técnico resgatou Kaká e Ronaldinho, mas resolveu fazer a dupla brigar por posição saindo de trás, como reservas, minimizando o passado recente de ambos a serviço do Brasil. O meia do Milan acabou passando com mais velocidade pelo 'batismo' de Dunga em relação ao astro Barcelona, então em temporada irregular. Veio o ano de 2007 e com ele a primeira derrota de Dunga à frente da seleção, numa frágil atuação diante de Portugal de Luiz Felipe Scolari em Londres. O revés levantou questões sobre a precisão do caminho idealizado pelo treinador para os objetivos mais próximos, a Copa América e a estréia nas eliminatórias do Mundial de 2010. A derrota para os portugueses também trouxe à tona uma discussão alheia ao futebol que marcou os primeiros meses de Dunga no cargo. Sua escolha por roupas para os dias de jogos, desenhadas pela filha estilista do treinador, acabou povoando o noticiário de seleção em certo momento tanto ou até mais que questões técnicas e táticas. Mais adiante, de volta a Londres para o quarto jogo na cidade depois da Copa, o Brasil empatou com a Inglaterra por 1 a 1, graças a um gol de Diego nos acréscimos, que evitou a segunda derrota da 'Era Dunga' para um rival de ponta do futebol internacional. Ainda antes da Copa América, Dunga foi obrigado a lidar com suas primeiras crises, de fato, como técnico da seleção. Primeiro, com os pedidos de dispensa de Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Zé Roberto, que desencadearam reação pública de descontentamento do treinador. Mais tenso ainda foi o incidente que envolveu a liberação de Robinho para a disputa da competição. Mesmo sem respaldo legal, de acordo com normas da Fifa, o Real Madrid segurou o atacante na Europa até o desfecho do Campeonato Espanhol, infringindo a obrigação de ceder jogadores convocados 14 dias antes de uma competição oficial de seleções. Enquanto a seleção treinava para a Copa América na concentração de Teresópolis, as trocas de farpas em uma diplomacia difícil entre CBF e Real Madrid eram rotineiras. No fim, Robinho se apresentou com atraso, em uma vitória simbólica dos 'grandes' endinheirados da Europa sobre o 'cenário Fifa' de seleções. Na Copa América, a seleção de Dunga começou cambaleante, com derrota para o México na estréia. Na primeira fase, a equipe não conseguiu encontrar consistência, e o técnico efetuou uma série de mudanças para tentar emplacar uma identidade tática, principalmente através de troca de peças no meio-campo. No fim, a seleção acabou 'se achando' e conseguiu o auge na competição justo na decisão, derrubando um decantado megafavoritismo da Argentina. Na reta final, o brilho de Robinho, a estrela da Copa América, não foi tão intenso. No entanto, algumas apostas circunstanciais de Dunga acabaram o torneio na Venezuela em alta, como Josué, Júlio Baptista e Vágner Love. Às portas da estréia nas eliminatórias, que acontece diante da Colômbia em outubro, a seleção passará agora por um novo processo de busca por identidade, na mescla da conclusão da Copa América com o retorno de teóricos titulares, como a dupla Ronaldinho e Kaká, além do goleiro Júlio César, atleta que não foi ao torneio na Venezuela por causa de lesão. As primeiras dicas do segundo ano de Dunga serão oferecidas nesta quarta contra os argelinos no Stade de la Mosson, em Montpellier. UOL
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