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Em sua última noite, Festival de Roma recebe Halle Berry

ROMA - Halle Barry e Benício Del Toro são as duas últimas estrelas internacionais a passarem pela Sala Santa Cecília, a principal sala de projeções do Festival de Cinema de Roma. A atriz é a estrela hollywoodiana da última noite da Mostra Competitiva do Festival e protagoniza o drama Things We Lost in the Fire (As Coisas que Perdemos no Incêndio), de Susanne Bier.

 

No filme, Halle interpreta Audrey Burke, uma dona-de-casa de Seatle casada com um marido quase perfeito, Brian (David Duchovny, de Arquivo X). Tudo vai bem na vida do casal. Ele trabalha com venda e recuperação de imóveis, é ótimo pai da garota Harper, de 11 anos, e do garoto Dory, de seis. Seu único porém é 'perder tempo' demais com o amigo Jerry Sunborne (Benício del Toro), um ex-advogado cuja atual preocupação é consumir heroína. A amizade rende algumas brigas entre o casal. Mas nada que fuja ao controle de Audrey. Até o dia em que Brian é assassinado e Audrey se diante do desafio de reconstruir sua vida.

 

A inicial antipatia por Jerry acaba se tornando uma das maiores fontes de sobrevivência emocional de Audrey. Juntos, ainda que de forma nada convencional, os dois terão de aprender a sobreviver após a enorme perda. 'Esta é uma historia sobre gente comum. Pode parecer um tanto clichê e dramática. Mas a vida as vezes é assim. Tantas coisas dramáticas acontecem todos os dias a nos e não nos damos conta de como superamos tudo isso', declarou a atriz, que, desde que levou um Oscar por A Última Ceia, de Marc Foster, em 2001, afirmava que um de seus maiores desejos era trabalhar com Del Toro. 'Eu disse mesmo isso. E consegui. Foi especial. Foi incrível poder dividir a cena com ele. Muita gente me pergunta o que mudou na minha vida depois do Oscar. Pouca coisa de fato mudou no meu dia-a-dia. Claro que hoje sou uma atriz muito mais respeitada. Mas não chovem roteiros incríveis na minha caixa de correio como pensa todo mundo. Achar esta história tão particular e ainda trabalhar com Benício é ainda um privilégio para mim', completou a beldade.

 

A diretora holandesa Susanne Bier, que concorreu ao Oscar por After the Wedding, concorda: 'De fato Benício era o ator perfeito para este papel. E fico muito feliz de poder ter dirigido dois atores que astros de Hollywood sem precisar necessariamente filmar um blockbuster.' Susanne de fato não fez um filme-pipoca. Melancólico e dramático, Things We Lost in the Fire é muito mais em torno dos pequenos-grandes dramas das pessoas comuns que um pretexto para colocar em cena dois astros do cinemão americano. Quem espera ver a beleza de Halle Berry em grandes closes vai se decepcionar. Ao contrario, os closes de Susanne insistem muito mais nos olhos da atriz. O processo de luto porque sua personagem se vê obrigada a enfrentar ganha contornos microscópicos.

 

Susanne está muito mais interessada nas entrelinhas da vida de uma família que precisa se reconstruir do que nas curvas de Berry. 'Isso não tem nada a ver com o fato de eu ser diretora, ou seja, mulher, ou não. Tem a ver com que o universo familiar para mim é muito mais interessante que qualquer cena de ação ou sensualidade gratuita para atrair público. Só filmaria cenas assim se fizessem sentido dentro do filme. E neste caso não fazem' , declarou Susanne.

 

De fato. Apesar de soar um tanto quanto clichê, o drama de Jerry, que tenta 'ficar limpo' das drogas após o trauma da morte do amigo, e de Audrey, que acaba vendo no 'antigo inimigo' um pouco do marido que se foi, é, antes de tudo, humano.

 

Brava tentativa de Berry de fugir do clichê (este sim que a persegue) de beldade do cinema digna de interpretar Bond Girls e afins. 'A indústria do cinema é muito competitiva e cruel, sobretudo para as mulheres. Bonitas ou não, é sempre mais difícil para nos conseguir bons papéis e boas histórias, que fogem dos estereótipos. E tudo que eu menos quero em minha carreira é servia a um só tipo de papel, principalmente o de sex-symbol', declarou Berry.

 

Seja como for, a atriz continua linda. E aplicada. Depois do papel sofrível em A Estranha Perfeita, de James Foley, ela parece estar mais próxima de retomar seus planos de ser 'mais que uma oscarizada de rostinho bonito' e procura bons projetos até com diretores estrangeiros. 'Boas historias são universais. Eu adoraria filmar com Gabriele Muccino (diretor italiano de O Último Beijo, sucesso europeu vencedor de vários prêmios que ganhou um remake americano, e de Em Busca da Felicidade, que rendeu a Will Smith uma indicação ao Oscar de Melhor Ator 2007).

 

Halle fecha nesta sexta-feira, 26, a mostra Première em Roma. Amanhã Ennio Morricone rege a Orquestra Santa Cecília durante a cerimônia de entrega dos Troféus Marco Aurélio, como é chamado o prêmio máximo do festival italiano.

Flávia Guerra

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