- São mais de 300 programas no ar, 200 horas de produção, 600 dias de gravações. Prestes a lançar uma nova aposta no gênero, a experimental O Sistema, e repensando a programação para o próximo ano, a Globo assiste a um veterano resistir bravamente ao tempo e ao esgotamento dos seriados no canal: A Grande Família.
Durante os sete anos em que está no ar - e com a oitava temporada praticamente certa em 2008 - Lineu a sua turma já viram entrar e sair da programação da Globo uma fila de seriados. Enfrentaram também mudança de horário, desfalque de personagens, cansaço do elenco. Tudo isso, com audiência de dar inveja à novela da 9: média de 40 pontos. E público mais eclético que o do Jornal Nacional.
"Não imaginávamos que iria durar tanto. O programa surgiu como uma homenagem de 8 episódios ao Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho - autor do original) e foi crescendo para 1, 2 anos...", fala um dos roteiristas da série, Marcelo Gonçalves.
Para ele, o fato de ser um remake de uma obra de sucesso (a original foi ao ar de 1972 a 1975) ajudou A Grande Família a emplacar inicialmente, mas o segredo da longevidade, diz , está justamente na mudança.
"Partir da notoriedade de um produto ajuda, mas usamos pouco do original. Foi mais uma referência", conta.
Além disso, fala Gonçalves, o segredo do bolo de sucesso também passa pela inegável química do elenco e pelos personagens tratarem de virtudes e defeitos que todo mundo, independentemente de classe social e etária, tem.
IDENTIFICAÇÃO
"O lance de ser uma família que sempre trata de valores morais atinge as pessoas, assim como a identificação com a batalha do Lineu e a admiração por ele ser sempre tão correto", explica. " Já o Agostinho tem os defeitos que muitos têm, mas poucos têm coragem de ir tão longe como ele (risos). Isso lava a alma de muita gente. Somos um misto de Lineu e Agostinho."
Entre as mudanças no remake, conta o roteirista, está a saída do personagem Júnior (Osmar Prado), filho mais velho da família no original. Agostinho, que não trabalhava mesmo, ganhou um táxi. Beiçola (Marcos Oliveira) foi um dos personagens que cresceu. Já Marilda (Andréa Beltrão) e Mendonça (Tonico Pereira) nunca existiram na trama criada por Vianinha.
Mas vida de remake de sucesso não é fácil. A memória afetiva do público cria expectativas e o passar dos anos pesa na responsabilidade. "Há a obrigação de fazer o que já está dando certo continuar...", fala o roteirista.
Gonçalves garante que, apesar das queixas e crises - Marieta e Nanini chegaram a ameaçar deixar a série por cansaço - a família deve permanecer unida por mais tempo.