| Sabendo | ||||
|
Deborah se revela Quarta-Feira, 17/10/2007, 06:49am (GMT-12)
Deborah Secco insiste em afirmar que é uma jovem comum, bo nita como tantas outras que circulam nos eixos mais badalados do Rio de Janeiro e São Paulo. Ela tenta ser, mas não é. De shortinho, colete, cabelo solto e sandália de salto – modelo que escolheu para a entrevista –, é praticamente impossível acreditar nesta afirmação. A sensualidade no olhar e nas formas revela sua porção camaleônica, transformando a tímida menina de voz um pouco anasalada na mulher enigmática e poderosa que costuma brilhar no vídeo. Talvez isso explique o sucesso que fez, recentemente, em uma participação relâmpago em Paraíso Tropical. Na pele da garota de programa Betina, ela foi um verdadeiro furacão. Chegou no final da história de Gilberto Braga com a missão de duelar com os excepcionais Wagner Moura e Camila Pitanga e fez uma atuação impecável. Deborah é sempre uma surpresa. No momento, está mais reservada do que nunca. Cada pergunta é muito pensada, antes de se ouvir dela uma resposta. Sobre seu namoro de 10 meses com o jogador Roger Flores, por exemplo, é monossilábica. “Estamos bem”, limita-se a dizer. Na entrevista que segue, a atriz revela muito de quem é, de seus medos e seus desejos. SER ATRIZ PARA MIM É... Tudo. Eu não vejo na minha vida outra função. Aos quatro anos, descobri o que desejava ser. Eu não trabalho pelo dinheiro. Se tivesse um grande personagem, eu pagaria para trabalhar. Se me der um mês de férias no Caribe ou uma grande novela, eu vou preferir uma novela. Um mês de férias ou uma peça, vou preferir a peça. Eu gosto muito de dar vida a uma pessoa que não sou eu. E, ao mesmo tempo, saber que a minha vida fica preservada, que as pessoas vão acreditando naqueles personagens, e ninguém sabe como sou. Esta é a maior felicidade da minha vida. EU FUI MAIS FELIZ QUANDO... Eu acho que, na verdade, sou feliz. Fui muito feliz quando era criança, tive uma infância de boas lembranças. Lembro que eu e minha irmã almoçávamos ao lado na cama de minha mãe, uma de cada lado, com uma bandejinha dos Ursinhos Carinhosos, vendo Xuxa... Eu sempre me senti realizada dentro daquilo que eu desejava. Tudo o que eu quis na vida, me dediquei e consegui. E nunca quis nada além do que eu poderia ter HOJE EU NÃO SUPORTO MAIS... Eu não suporto mais me machucar. Depois de anos de análise, finalmente, aprendi a dizer “não”. Não para as coisas que eu não gosto, para aquilo que não quero. Logo depois de uma irmã ter morrido, eu passei a carregar este peso de ter de agradar, de não decepcionar os meus pais porque eles vinham de um grande sofrimento. Acho que isso se refletiu em uma postura interna minha. De uma forma comportamental, eu agia para não magoar os outros. E acabava me magoando. Hoje, ainda com muito trabalho, eu venho buscando não me magoar, mesmo que isso doa um pouco nos outros. SER CONSIDERADA SÍMBOLO SEXUAL É... É muito engraçado. Eu não vou dizer que não me acho uma mulher bonita, mas me sinto bonita normal. Se eu não fosse atriz, não teria este plus. Minha irmã é 10 vezes mais bonita do que eu, mas ela não tem o diferencial de ser famosa. Símbolo sexual então... Nada a ver. Não me acho nada sexy. Eu sei ser sexy se a personagem precisa. Eu sou completamente tímida, quieta, mas também sou muito brincalhona quando tenho intimidade. Sou de falar pouco e escutar mais. Sou reflexiva. Esta coisa da exuberância, essencialmente, não me pertence. A MINHA MAIOR DECEPÇÃO... Acho que tive várias. Quando criança, tive várias decepções. Todos os testes que fazia, não passava. Uma vez, depois de um mês gravando uma novela, chegaram para mim e disseram que iam trocar de atriz. Fiquei inconsolável. Eu tinha 9, 10 anos. Eu não me lembro de ter sofrido tanto. Com o passar dos anos passei a trabalhar a expectativa. Não esperar que as coisas aconteçam para não sofrer. TRAIÇÃO É... Mentir para você mesmo. A maior traição é a sua consigo mesmo. A pessoa não ser leal aos seus sentimentos. O que mais tento é não me trair, é não mentir para mim. Às vezes, eu sei que estou fazendo errado, que estou me enganando, mas também sei que ainda não sou capaz de mudar. Ser leal a você, saber que só pode doar quando o seu “baldinho” está cheio, é essencial. Sou incapaz de me trair. E é isso que eu acho o primeiro passo para você não trair o próximo também. TOMEI AS RÉDEAS DA MINHA VIDA QUANDO... Eu ainda não as tomei, definitivamente. Acho que a gente vai tomando conforme vai amadurecendo. Eu sei que estou longe, mas, pelo menos, sei como são essas rédeas, acho que estou chegando perto delas. Ainda não as tenho nas mãos, é um processo de vida e lento. MEU MAIOR ARREPENDIMENTO É... Prefiro me arrepender das coisas que fiz do que das que não fiz. Sempre fui uma pessoa que fez tudo e aprendi com as minhas experiências não positivas. Talvez, se não agisse da forma que agi no passado, não fosse a pessoa que sou hoje. Já sofri, já me arrependi, mas tento levar como aprendizado, como experiência de vida. Revista
|
||||