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Dois filmes brasileiros, "Ó Paí, Ó", de Monique Gardenberg, e "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, concorrem pelo título de melhor longa-metragem no Festival de Biarritz, que, em sua 26ª edição, leva à cidade francesa a nata da produção cinematográfica latino-americana.
Serão exibidos mais de cem filmes, sendo que dez deles competem pelo prêmio de melhor longa-metragem este ano, categoria na qual a temática mais recorrente é a mulher e a infância. Pelo menos seis dos filmes que disputam o L'Abrazo, que em 2006 foi vencido pela produção brasileira "Proibido Proibir", de Jorge Duran, revelam a visão do mundo através dos olhos de mulheres e crianças. Dentro deste olhar, são enfocados temas como a ditadura, a ilegalidade, as razões para viver ou para se matar, a natureza e a espiritualidade, explicam os organizadores. Além dos longas brasileiros, concorrem filmes de México, Colômbia, Argentina, Cuba, Uruguai e Venezuela, que disputam os três prêmios do festival, que serão concedidos à melhor produção e aos melhores atores. O Brasil também compete pela estatueta de melhor curta-metragem com dois filmes, "A Peste da Janice", de Rafael Figueiredo, e "Picolé, Pintinho e Pipa", de Gustavo Melo. Dez curtas concorrem nesta seção. O júri, presidido pelo cineasta francês Benoît Jacquot, deverá escolher entre dez produções de temáticas diferentes. O vencedor ganhará ajuda na distribuição da obra na França. As vidas cruzadas de "La Sangre Iluminada", do mexicano Iván Avila Dueñas, e a trágica história de um adolescente suicida de seu compatriota Sergio Tovar Velarde em "Aurora Boreal" também estão na competição de melhor longa-metragem. A produção "Hunabkú", do argentino Pablo César, também retrata a adolescência, assim como "Por sus Proprios Ojos", de Liliana Paolinelli, e "Postales de Leningrado", da venezuelana Mariana Rondón, que foca a visão de uma família de guerrilheiros. Alguns filmes têm como pano de fundo os conflitos sociais, como o brasileiro "Ó Paí, Ó", de Monique Gardenberg, "Esto Huele Mal", do colombiano Jorge Ali Triana, e "La Noche de los Inocentes", do cubano Arthur Sotto, protagonizado por Jorge Perugorría. Temas políticos serão retratados pelo brasileiro "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, e "Matar a Todos", do uruguaio Esteban Schroeder. A categoria de documentários, que cresce a cada ano, possui 15 concorrentes, entre eles os brasileiros "Elevado 3.5", de João Sodré, "O Coco, a Roda, o Pneu e o Farol", de Mariana Fortes, e a produção conjunta Brasil-Paraguai "Los Paraguayos", do paraguaio Marcelo Martinessi. Serão exibidos ainda dois documentários sobre duas personalidades brasileiras, mas que não concorrem ao prêmio principal da categoria: as produções francesas "Lula, la gestion de l'espoir", sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Gonzalo Arijon, e "Villa Lobos", sobre o famoso compositor brasileiro, de Eric Darmon. Fora da seção oficial, o Festival de Biarritz homenageará o ator mexicano Pedro Armendáriz Júnior, que, segundo os organizadores, conseguiu fazer bem a passagem entre filmes de apelo popular - atuou junto com John Wayne e foi dirigido por Steven Spielberg - aos filmes autorais, pelas mãos de Raúl Ruiz e Jacques Rozier. Uma seleção de filmes do ator será exibida durante o evento, e o próprio marcará presença no festival. Biarritz também repassará a obra do boliviano Jorge Sanjinés, considerado um expoente do cinema militante, através de seus documentários que contaram com a participação de trabalhadores rurais locais para denunciar o drama da pobreza, da fome, da mortalidade infantil e do desemprego. "Ukamau" (1968), "La Sangre del Cóndor" (1969), "El Coraje del Pueblo" (1971), "El Enemigo Principal" (1973) e "La Nación Clandestina" (1989) serão algumas das produções que tiveram a atuação do fundador do Grupo Ukamau. A organização fomenta a expressão cinematográfica que busca as origens da Bolívia nas raízes indígenas. Uma temática semelhante será abordada pelo festival, com a exibição de dois filmes do chamado Grupo Chaski, os peruanos "Encuentro entre Hombrecitos", de Alejandro Lagaspi, e "Juliana", de Fernando Espinoza. O festival será a primeira oportunidade para o público francês assistir a quatro filmes que ainda estrearão no país, entre eles o brasileiro "Mutum", de Sandra Kogut. As outras pré-estréias são "Parpados Azules", do mexicano Ernesto Contreras; "El Baño del Papa", dos uruguaios Enrique Fernandez e Cesar Charlone; e "Calle Santa Fé", da chilena Carmen Castillo. A seção jovens diretores permitirá que três estreantes apresentem seus projetos. Um deles ganhará uma ajuda de 7 mil euros para continuar desenvolvendo seu filme. A mostra também organiza encontros literários que este ano aproximarão o público francês do salvadorenho Rafael Menjivar Ochoa, da cubana Mayra Montero, do colombiano Santiago Gamboa, do mexicano Fabio Morabito e do argentino Alejandro Finzi. UOL
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