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Economia 

Multinacionais lutam para entrar no mercado de etanol do Brasil, diz 'Wall St Journal'

Empresas multinacionais do ramo de biocombustíveis com sede no Estados Unidos estão tendo dificuldade de entrar no mercado brasileiro por causa da relutância de famílias proprietárias de vastas plantações em vender suas terras, de acordo com reportagem na edição desta segunda-feira do "Wall Street Journal".

"Um punhado de potenciais investidores" foi ao Brasil, "inclusive gigantes de commodities, de fundos de hedge e empresas do ramo de energia", diz o jornal americano. "Até os fundadores da Google Inc. vieram dar uma olhada." Mas "estão se chocando com uma realidade concreta: famílias como a do Sr. Junqueira Franco, que controlam os recursos canavieiros há décadas, até séculos. Muitas não querem vender, outras estão pedindo preços estratosféricos por operações cheias de problemas."

"O Sr. Junqueira Franco, um fundador da Companhia Açucareira Vale do Rosário (...), recebeu ofertas de vários interessados. Inclusive uma oferta de US$ 775 milhões por sua empresa da gigante das commodities Bunge Ltda, sediada em Nova York. Mas o Sr. Junqueira Franco, cuja família chegou ao Brasil por volta de 1700 (...) disse que nunca vai vender (as terras que possui em São Paulo)."

Essas dificuldades estão impedindo que algumas grandes empresas estrangeiras "entrem no promissor mercado de etanol do Brasil através de aquisições, forçando-as a desenvolver seus próprios projetos do princípio".

"Com vastas terras, baixos custos de produção e experiência na produção de etanol, o Brasil é visto por muitos como o país com maior capacidade para satisfazer a demanda mundial", diz a reportagem assinada por Antônio Regalado e Grace Fan, a partir de Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo. Os repórteres lembram que "os Estados Unidos e outros países esperam substituir até 15% de sua gasolina doméstica por etanol em uma década".

"Mas a resistência a estrangeiros pode afetar a rapidez com que grandes quantidades de etanol brasileiro barato comecem a chegar à frota automotiva mundial", diz a reportagem.

Entre os problemas apontados na reportagem para a entrada de estrangeiros no mercado brasileiro de biocombustíveis, está a forma como os engenhos são administrados.

"A indústria açucareira e de etanol é gerenciada informalmente e é altamente fragmentada", o que "não é ideal para o investidor estrangeiro".

"Com freqüência, os engenhos não têm contabilidade confiável e enfrentam disputas fiscais e dívidas", disse a reportagem, atribuindo tal comentário a investidores estrangeiros.

Disputas trabalhistas também seriam um obstáculo, diz "The Wall Street Journal". "A maior parte da cana-de-açúcar ainda é cortada manualmente -um trabalho exaustivo que enriqueceu donos de engenhos por séculos, mas pode expor companhias internacionais a processos judiciais."

"Os donos de engenho do Brasil enfrentam alguma pressão política para não vender (suas propriedades)", diz a reportagem. "Aloizio Mercadante, um poderoso senador de São Paulo, chamou recentemente a ação dos donos de engenho que venderam (as propriedades) de 'incrível e incompreensível'."

"Analistas dizem que o Brasil precisa de bilhões de dólares em investimentos para expandir a produção e construir dutos, portos e outras partes da infra-estrutura de que precisa para se tornar o fornecedor de etanol do mundo", afirma o artigo. "Grandes companhias, que possuem um melhor acesso a crédito e capital, também podem ajudar a consolidar, modernizar e expandir a indústria de etanol do Brasil", diz a reportagem do "Wall Street Journal".
UOL

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