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Economia 

Bolsas nos EUA caem mais de 2% por preocupação com mercado de crédito

A quinta-feira foi negativa nos pregões em Wall Street, onde os principais índices acionários fecharam com quedas acima de 2%, reflexo da aversão a risco presente no cenário global. O pessimismo entre os investidores foi deflagrado por notícias desfavoráveis sobre o setor imobiliário norte-americano, que reforçaram as incertezas e preocupações com o mercado de crédito e os reflexos sobre a economia dos Estados Unidos.

O indicador Dow Jones Industrial Average caiu 2,49%, aos 13.441,46 pontos - a segunda maior queda no ano. O índice Standard & Poor´s 500 cedeu 2,33%, aos 1.482,78 pontos. O eletrônico Nasdaq Composite perdeu 1,84%, aos 2.599,34 pontos.

Resultados piores de empresas norte-americanas do setor de construção, a queda na venda de imóveis novos nos EUA e notícias sobre problemas enfrentados por dois fundos de hedge australianos abriram espaço para uma forte realização de lucros nas bolsas em Nova York.

A segunda maior construtora norte-americana, a D.R. Horton, amargou prejuízo líquido de US$ 823,8 milhões, ou US$ 2,62 por ação, no terceiro trimestre fiscal de 2007, encerrado em 30 de junho. O resultado inclui despesas geradas com problemas de estoque e perdas por estar deixando de exercer opções de compra de terrenos. No mesmo intervalo de 2006, a companhia obteve lucro líquido de US$ 292,8 milhões, ou US$ 0,93 por ação.

As ações da D.R. Horton caíram 3,14%, a US$ 16,94.

No final da manhã, o Departamento do Comércio norte-americano informou que a comercialização de residências novas recuou 6,6% em junho nos EUA, para uma taxa anual ajustada de 834 mil unidades ante à marca de 893 mil casas apurada em maio. Muitos analistas esperavam uma leitura de 890 mil casas.

Para completar, o grupo australiano Absolute Capital suspendeu temporariamente os resgates de dois de seus fundos: o Absolute Yield Strategies Funds e o Capital Yield Strategies Fund NZD. A decisão foi tomada em razão da " atual ausência de liquidez nos mercados globais de crédito estruturado " . Na véspera, a Chrysler desistiu de emitir US$ 12 bilhões em títulos para financiar sua venda para o Cerberus Capital Management LP, por fraca demanda por títulos de maior risco.

Diante dos temores acerca dos reflexos dos problemas no setor de imóveis sobre o mercado de crédito, muitos investidores preferiram vender ações e realocar os recursos em ativos mais seguros. E o comportamento dos títulos do Tesouro norte-americano referendou esse movimento. O treasury de dez anos indicou queda de 0,11 ponto percentual no retorno ao investidor, a 4,78% ao ano, no final dos negócios, sugerindo forte procura por tais papéis, considerados por muitos agentes como mais seguros.

No noticiário corporativo, os investidores receberam bem o resultado trimestral da Apple, informado ontem, após o fechamento. O lucro líquido da companhia no terceiro trimestre fiscal somou US$ 818 milhões, com aumento de 73% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita líquida da empresa aumentou 24%, para US$ 5,41 bilhões no período de abril a junho. O resultado superou a estimativa dos analistas, que projetavam receita de US$ 5,29 bilhões. As ações subiram 5,74%, a US$ 145,14, hoje

A gigante petrolífera Exxon Mobil reportou hoje uma redução de quase 1% no lucro líquido do segundo trimestre. O volume menor de gás natural foi compensado pelo aumento nas margens de refino e químicos, ente outros fatores. O ganho ficou em US$ 10,26 bilhões, ou US$ 1,83 por ação, mais enxuto do que os US$ 10,36 bilhões, correspondentes a US$ 1,72 por papel. A receita recuou 0,7%, para US$ 98,35 bilhões. Os papéis da companhia caíram 5,41%, a US$ 87,77 no encerramento dos negócios.

A Ford conseguiu reverter a perda de um ano antes e terminou o segundo trimestre deste calendário com ganho de US$ 750 milhões, ou US$ 0,31 o papel. Foi o primeiro trimestre no azul em quase dois anos. Em período correspondente de 2006, havia perdido US$ 317 milhões, ou US$ 0,17 o papel. A receita expandiu-se 6%, ficando em US$ 44,2 bilhões. Os papéis da montadora subiram 1,63%, a US$ 8,09.

A Dow Chemical teve lucro líquido de US$ 1,04 bilhão milhões nos três meses encerrados em junho, 2% acima dos US$ 1,02 bilhão visto em igual período do ano passado. As vendas líquidas da empresa americana do setor químico aumentaram 6%, para um recorde de US$ 13,27 bilhões. As ações da companhia recuaram 5,21%, a US$ 43,28.
UOL

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