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Dados de emprego mostram que EUA já estão no início da recessão
Sábado, 08/03/2008, 07:41pm (GMT-2)

 

Nalu Fernandes

Os Estados Unidos já estão nos estágios iniciais de uma recessão, afirmaram ontem analistas de instituições em Nova York. Agora, os debates dos especialistas devem se voltar para a duração e a profundidade do processo.


A avaliação de que a recessão começou tem por base os dados de fevereiro do emprego no país. Relatório divulgado ontem pelo Departamento de Trabalho mostrou o fechamento de 63 mil vagas em fevereiro. A taxa de desemprego ficou em 4,8%, ante 4,9% em janeiro.

Imediatamente, o presidente George W. Bush tentou aliviar o temor de que o país esteja em recessão e afirmou que está adotando medidas (ler ao lado). Mas o esforço de Bush foi em vão. As bolsas de valores caíram em todo o mundo. Em Nova York , o Índice Dow Jones fechou em queda de 1,22%, para 11.893 pontos, o recuo na Nasdaq (que engloba as empresa de tecnologia) foi menor, 0,36%. Já a Bovespa, em São Paulo, perdeu 1,76%, para 61.868 pontos.

Em Londres, o índice FT-100 caiu 1,15% e fechou nos 5.699,9 pontos. Em Paris, o CAC-40 recuou 1,26% e fechou nos 4.618,96 pontos. Em Frankfurt, o Xetra-Dax caiu 1,17%, para 6.513,99 pontos.

Também fecharam em baixa as bolsas de Xangai, Sydney, Seul, Taiwan e Hong Kong. "Até o fim do primeiro trimestre, os mercados de Hong Kong vão continuar sem uma direção clara, como resultado da preocupação com o mercado de crédito nos Estados Unidos", analisou Peter Lai, diretor da DBS Vickers.

Após a divulgação dos dados americanos de emprego, o economista-chefe do Deutsche Bank, Joseph La Vorgna, passou a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) do país terá uma contração de 0,5% no primeiro trimestre e de 0,3% no segundo. Até a última semana, a instituição acreditava que o país conseguiria escapar da recessão, ainda que por margem estreita.

O economista-chefe do Nomura Securities, David Resler, observa que o declínio de postos de trabalho foi amplo. "A perda de vagas indica que a recessão começou", disse. O economista-sênior do CIBC World Markets, Meny Grauman, concorda que a recessão já está em andamento. Ele destaca a importância do payroll nessa avaliação, uma vez que o número já "previu corretamente" o início de muitas recessões no país.

Segundo o payroll, o comércio varejista perdeu mais de 34 mil vagas em fevereiro. Na avaliação do economista Jean-Marc Lucas, do BNP Paribas, essa tendência mostra que a perda de vagas não está mais restrita à construção e à manufatura. "A tendência desfavorável dos postos de trabalho deve continuar nos próximos trimestres", comentou.

JUROS

O vice-presidente de Mercado Global do Banco de Nova York Mellon, Michael Woolfolk, acrescenta que as perdas no setor varejista são "um claro sinal de que a atividade econômica está em desaceleração acentuada". "Nessas circunstâncias, o foco do mercado estará na trajetória do desemprego ao longo de 2008", observou.

Em fevereiro, o leve declínio na taxa de desemprego, para 4,8% ante 4,9%, é visto como resultado da contração da força de trabalho (menos pessoas procuraram emprego), ou seja, "como um sinal de enfraquecimento", disse La Vorgna, em teleconferência, após a divulgação do número.

Quanto à política monetária, o CIBC World prevê corte de 0,75 ponto porcentual no juro - que está em 3% - no encontro deste mês do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) . "O Fed vai continuar cortando o juro agressivamente por algum tempo", disse Grauman.

Para o Deutsche Bank, os leilões a termo devem permitir que o Fed agüente até o dia do encontro (18 março) sem precisar cortar o juro. O Deutsche espera corte de 0,50 ponto porcentual no dia 18 e prevê que a taxa caia para 2% no encontro de abril. Para o economista-sênior do canadense BMO Capital Markets, Michael Gregory, o juro nos EUA chega a 1,75% em junho, "em razão das evidências de recessão".