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Economia 

Bolsa cai 6,6% e tem o pior pregão desde fevereiro de 2007

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi arrastada pelo tombo das bolsas européias. Além da reação negativa ao pacote de ajuda dos Estados Unidos, anunciado na sexta-feira, 18, os investidores também mostraram insatisfação com o agravamento da crise norte-americana, sinalizado por notícias sobre perdas de bancos. No final do dia, a Bovespa fechou com queda de 6,6%, em 53.709 pontos. Nível mais baixo desde 27 de fevereiro de 2007. A saída de recursos do mercado de ações no Brasil já alcança R$ 3,5 bilhões em 2008.

 

Com os mercados fechados nos EUA - devido ao feriado Martin Luther King Jr. -, o ambiente na Europa se deteriorou com as preocupações sobre as seguradoras de bônus, especialmente a ACA Capital, Ambac e MBIA. Essas companhias vendem seguros contra perdas no mercado de dívidas para as instituições financeiras.

 

Contudo, essas seguradoras podem estar com problemas financeiros para pagar estes seguros. Nesta segunda, o Merrill Lynch, por exemplo, já anunciou baixas contábeis devido aos problemas de possível insolvência da ACA.

 

Desde sexta-feira, correm pelas mesas de operações da Europa rumores de que alguns bancos poderiam anunciar novas perdas, entre eles o Société Générale e o UBS. "Com os problemas nas seguradoras de bônus, é razoável imaginar que mais prejuízos possam acontecer", avalia uma analista.

 

O WestLB já informou hoje que espera anunciar prejuízo líquido próximo de 1 bilhão de euros (US$ 1,44 bilhão) referente a 2007.

 

Com a forte presença do chamado "risco de contrapartes", as ações dos bancos sofrem bastante hoje e puxaram para baixo o desempenho das bolsas na Europa. Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 5,48%. Em Frankfurt, o índice DAX despencou mais de 7%. Em Madrid, as ações recuaram 7,54%. Em Lisboa, baixa de 5,83%. E em Paris, o índice de ações caiu 6,83%. Nos Estados Unidos, as bolsas estão fechadas, devido ao feriado de Martin Luther King Jr.

 

Na Ásia, o principal índice da Bolsa de Tóquio fechou hoje no pior nível desde outubro de 2005, caindo 3,9%. Já a Bolsa de Hong Kong perdeu 5,5%, a maior queda em seis anos, depois que o BNP Paribas afirmou que o Bank of China poderá sofrer baixa contábil de US$ 4,8 bilhões relacionada a hipotecas subprime (com risco de crédito). A Bolsa da Índia, por sua vez, desabou 7,4%, mas ainda assim se recuperou de um tombo que chegou a superar 10% durante a sessão.

 

Repercussões

 

Logo no início da tarde, de acordo com informações da Dow Jones, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertou que a situação econômica global em conseqüência de uma desaceleração dos EUA é "séria" e poderá ter impacto sobre as economias emergentes. "A situação é séria... todos os países do mundo estão sofrendo da desaceleração no crescimento nos EUA", disse Strauss-Kahn a repórteres. "Não é impossível que mesmo as nações emergentes possam sentir um certo efeito, que o crescimento pode ser mais fraco do que o esperado", disse.

 

Na Europa, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, informou que os ministros das finanças dos 15 países da zona do euro irão discutir o forte tombo das bolsas européias durante reunião hoje. "Nós estamos preocupados", disse o ministro das Finanças espanhol, Pedro Solbes. "Nós vamos acompanhar os desdobramentos de perto".

 

Incertezas

Ninguém arrisca dizer qual será o humor dos investidores na terça, quando os mercados americanos vão reabrir após o feriado. Há opiniões dos dois lados. Se por um lado as perdas podem ficar ainda maiores, do outro a chance de que parte dos investidores aproveitem os baixos preços das ações para comprar papéis de empresas e, com isso, as bolsas podem subir.

 

Para o estrategista de renda fixa da Nomura International em Londres, Sean Maloney, quando o mercado norte-americano voltar às suas atividades normais amanhã, é mais provável que o elevado nervosismo registrado na Europa diminua. "Por outro lado, os investidores estarão acompanhando com muita atenção a divulgação diária de dados da economia dos EUA. Na atual conjuntura, cada informação relevante negativa pode aumentar a percepção de que os EUA estariam ingressando numa recessão, o que pode causar uma resposta negativa imediata nos mercados europeus", comentou.


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