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Teia societária confusa atrasa acordo entre Oi e BrT Sábado, 19/01/2008, 06:38pm (GMT-2)
O anúncio do acordo para a compra do controle da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar) deve ficar para o fim deste mês. A informação é de duas fontes que acompanham a reta final das negociações. A intrincada teia societária das duas empresas de telefonia, que vem desde o período da privatização do setor, em 1998, está dificultando os acertos das participações de cada grupo no negócio, além das negociações para garantir a governança corporativa dentro do bloco de controle da nova empresa.
Na prática, o negócio se dará em duas etapas. Os sócios Andrade Gutierrez, do empresário Sérgio Andrade, e La Fonte, de Carlos Jereissati, vão consolidar o controle da empresa TmarPart, controladora da Oi. Eles terão 21% cada um da nova empresa e terão maioria, somando a fatia de 10% da Fundação Atlântica, dos empregados da Telemar. O restante da empresa ficará com o BNDES (15%) e os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal), com, respectivamente, 14%, 10% e 10%. Em paralelo, a Oi vai adquirir o controle da BrT, representado pela Solpart, que tem o Citigroup, o Opportunity e os fundos de pensão no capital. A versão inicial do projeto prevê que a BrT será, pelo menos durante um período inicial, uma empresa controlada da Oi. Assim, o controle da TmarPart sobre a BrT será indireto. Espera-se que as duas operadoras venham a se fundir, para alcançar ganhos de escala e redução de custos. CASCATA Para sair do papel, as duas operações precisam reordenar e eliminar uma série de empresas formadas em cascata dentro de cada cadeia societária das duas telefônicas. "É uma espécie de descruzamento acionário enorme, muito maior do que o realizado entre a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale (em 2001)", afirmou uma das fontes. Um outro executivo explica que existe um passado de disputas societárias dentro das companhias, principalmente na BrT, que está elevando o grau de exigência e detalhamento dos novos acionistas do grupo na formulação de um acordo dentro do bloco de controle. Alguns temas de discussão, nesse caso, são a formação de quóruns qualificados para determinadas decisões, até mesmo as ligadas ao dia-a-dia do negócio, como a formulação de orçamentos anuais. A operação de compra da BrT sairá por R$ 4,85 bilhões para o controle da empresa. Outros R$ 3,7 bilhões restantes estão previstos para serem usados no pagamento de direitos e ações aos minoritários. A operadora Oi tem caixa da ordem de R$ 6,5 bilhões, deverá levantar empréstimos para o negócio e existe a previsão de lançamento de debêntures no futuro para pagar o financiamento. Já a consolidação do controle da TmarPart nas mãos da Andrade Gutierrez e La Fonte deverá exigir R$ 2,5 bilhões, 60% dos quais financiados pelo BNDES. Nilson Brandão Junior
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