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Economia 

Bolívia aguarda retomada de negociações com Brasil

O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, disse ontem, durante entrevista coletiva na capital argentina, que deve viajar ao Brasil "depois do carnaval, talvez em fevereiro ou março... não tenho data definida por enquanto". Villegas viajará ao Brasil para reunir-se com representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na agenda energética, que definiu como "ampla", está a discussão sobre os compromissos e novos investimentos da Petrobrás em território boliviano no setor de gás.

O ministro disse que está em compasso de espera: "Ainda precisam me confirmar se ocorrerão - ou não - mudanças nas autoridades da área energética no Brasil". Perguntado sobre eventuais atritos com Brasília por causa do gás, descartou quaisquer problemas. Segundo ele, o presidente Lula, em 2005, disse que aceitaria as decisões soberanas do governo boliviano.

Villegas foi cauteloso e preferiu não fazer estimativas sobre o aumento da produção de gás na Bolívia para este ano. Segundo ele, atualmente, a produção é de 42 milhões de metros cúbicos diários. "Desses, o Brasil, no marco do contrato com a Petrobrás, cada dia faz nominações. E por isso, flutua na faixa dos 26 milhões a 32 milhões de metros cúbicos diários. Alguns dias são 30 milhões, outros são 27 milhões. A nominação é variável de acordo com as necessidades do mercado interno. Pelo lado do mercado boliviano, ele absorve 5 milhões de metros cúbicos diários. E a diferença é enviada ao mercado argentino."

Há duas semanas, em La Paz, Villegas havia admitido que, apesar dos investimentos recentes no setor de gás, a produção não aumentaria significativamente até o fim de 2008, e esse volume de produção não permitiria ao país "cumprir de forma completa os contratos com o Brasil e a Argentina".

Pouco antes de chegada de Villegas a Buenos Aires, o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, declarou à Télam, a agência estatal de notícias da Argentina, que "o Brasil está atravessando uma crise energética, e a Argentina está incrementando seu crescimento econômico, fato que leva a Bolívia a acelerar a procura e exploração de gás".

Em Buenos Aires, Villegas reuniu-se com o ministro argentino do Planejamento Federal, Julio De Vido, com quem organizou os detalhes da visita do presidente Evo Morales prevista para sexta-feira, 25 de janeiro.
Ariel Palacios

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