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Economia 

Telemar está perto de levar a BrT

O Grupo Oi (antiga Telemar) confirmou ontem que está negociando uma reestruturação entre os sócios e a compra de uma empresa. No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa não detalhou quais são as operações em andamento.

No dia 28 de dezembro, uma reportagem do Estado informou que os controladores da Oi estavam negociando a compra da participação do sócio GP Investimentos e também a aquisição da Brasil Telecom, hoje controlada por fundos de pensão de estatais e pelo Citi. Ontem, a coluna Radar, no serviço online da revista Veja, informou que o negócio foi fechado na noite de segunda-feira.

As empresas não confirmaram a informação. Segundo fontes do governo, o negócio está praticamente fechado. Pelo que a reportagem do Estado apurou, está sendo costurado um plano pelo BNDES que prevê a ação direta do governo em duas frentes. Uma delas envolve o Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve baixar um decreto permitindo a união de duas operadoras de telefonia, hoje proibido por lei.

A compra da Brasil Telecom deve sair, porém, antes mesmo da publicação do decreto. No contrato de venda para a Telemar haverá uma cláusula condicionando a realização do negócio à mudança na lei. Ou seja, se a lei não mudar, o negócio não é efetivado. O acordo está sendo fechado, portanto, com a certeza que já está tudo acertado em Brasília.

A outra atuação do governo será feita por meio do BNDES. Estão programados financiamentos bilionários para dois sócios privados da Oi, Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, e Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, comprarem participação de outros acionistas na Telemar e também para assumir o controle da Brasil Telecom.

Existem duas possibilidades de negócio dentro da Telemar. Hoje, o controle da empresa é dividido entre Grupo La Fonte (10,275% das ações ordinárias), Andrade Gutierrez (10,275%), GP Investimentos (10,275%), fundos de pensão de empresas estatais (Previ, Sistel, Funcef e Telos, com 19,9% ), e BNDESpar (25%). Já está definido que a GP Investimentos sairá da empresa e venderá sua participação - avaliada em US$ 500 milhões - para os sócios.

A dúvida é se o Grupo La Fonte e a Andrade Gutierrez também comprariam a parte dos fundos de pensão. Para isso, seriam gastos mais US$ 500 milhões. No total, se os fundos saírem da Oi, o La Fonte e a Andrade Gutierrez gastariam US$ 1 bi para se tornarem os principais controladores da Telemar.

A segunda parte da operação prevê que a Telemar - já com menos sócios - assuma o controle da Brasil Telecom. Hoje, o controle da Brasil Telecom está nas mãos do Citi e dos fundos de pensão de estatais (principalmente Previ, Petros, Funcef e Telos).

A princípio, os fundos e o Citi pediam R$ 5,2 bilhões por sua participação na BrT. Jereissati e Andrade falavam em R$ 4,3 bilhões. Segundo a coluna Radar, a venda teria sido fechada por R$ 4,8 bilhões (US$ 2,7 bilhões). Esses recursos também seriam financiados pelo BNDES. No total, os financiamentos poderiam chegar a US$ 3,7 bilhões - ou R$ 6,5 bilhões.

A última rodada de conversas começou antes do Natal na sede do BNDES, no Rio. Na reta final, desde sexta-feira passada, foram escolhidos dois representantes para finalizar o acordo. Do lado da Telemar quem ficou responsável por conduzir as negociações foi Carlos Jereissati. Pelos fundos de pensão e pelo Citi foi escolhido o presidente da Previ, Sérgio Rosa.

A operação ainda tem vários obstáculos e riscos. Em primeiro lugar, é preciso mudar a lei e dar empréstimos bilionários a Jereissati e Andrade - e enfrentar a resistência política e a oposição dos rivais da Telemar a essas medidas. Outro risco, segundo analistas de mercado, é a resistência de acionistas minoritários. Como os fundos de pensão estão nas duas pontas do negócio, os minoritários podem questionar se houve sobrepreço em uma das operações.
Nilson Brandão Junior e Gerusa Marques

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