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Economia 

Guerra de liquidações mantém vendas aquecidas em janeiro

Logo após o melhor Natal da década para o comércio, pelo menos sete grandes redes varejistas começaram o ano com uma verdadeira guerra de liquidações. Além dos descontos que chegam a 70% sobre o preço de etiqueta de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e artigos de vestuário, são oferecidas facilidades de pagamento, como a entrada só depois do carnaval.

Diante dos resultados do varejo obtidos em dezembro e dos estoques enxutos nas lojas, as liquidações podem parecer um contra-senso neste momento. Mas, na prática, elas são apenas um chamariz para o comércio impulsionar as vendas em janeiro, um mês que até pouco tempo atrás era o pior do ano para as lojas. Em algumas redes, janeiro ocupa hoje a terceira posição no ranking de vendas do ano, atrás de dezembro e maio, por causa do Dia das Mães.

A disputa para ampliar as vendas este mês está acirrada. O Magazine Luiza, a terceira maior rede varejista de eletrodomésticos e móveis, abre amanhã as portas de 392 lojas às 6 horas na expectativa de vender R$ 60 milhões em um único dia. O recorde da empresa foi alcançado na liquidação do ano passado, quando o faturamento atingiu R$ 50 milhões.

"O mercado está aquecido e temos novas lojas. Por isso, acreditamos que vamos manter neste mês o ritmo de crescimento de vendas atingido no último trimestre, que foi de 25% sobre o ano anterior", afirma o diretor de Vendas e Marketing, Frederico Trajano. Ele conta que metade do volume de mercadorias que estarão à venda na 15ª edição da Liquidação Fantástica foi negociada diretamente com a indústria, em condições especiais. A outra parte se refere à renovação de mostruário ou sobras do Natal. "Existe uma colaboração significativa da indústria para a liquidação."

Trajano observa que, de dois anos para cá, as vendas de janeiro na rede já se equiparam com as de maio, mês forte por causa do Dia das Mães. "Fomos o primeiro varejista a acreditar no potencial de negócios do começo do ano. Quebramos um paradigma."

O Ponto Frio, vice-líder do varejo de eletrodomésticos, também quer fisgar o consumidor no começo do ano. Para contra-atacar a concorrência, a rede fará amanhã uma liquidação de um dia nas 389 lojas da rede, que serão abertas três horas mais cedo que o horário habitual. A expectativa é de ampliar de 15% a 20% as vendas na liquidação deste ano em relação ao mesmo evento realizado num único dia em janeiro de 2007.

"Nos últimos três anos, as vendas em janeiro têm sido crescentes", diz o diretor regional da rede, Marcelo Bazzali. Ele ilustra com números o potencial de negócios do período após o Natal. Em 2006, as vendas entre os dias 26 e 31 de dezembro responderam por de 8% a 9% das vendas do mês. Em 2007, a fatia das vendas após o Natal quase dobraram em relação ao ano anterior e corresponderam por de 18% a 20% do faturamento de dezembro.

Bazzali diz que, além do desconto de 70% no preço, a empresa oferece facilidade de pagamento, como a primeira parcela depois do carnaval. A intenção, observa, é facilitar a vida do consumidor, que normalmente começa janeiro tendo que pagar impostos pesados, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Outra rede que inicia amanhã uma megaliquidação é as Lojas Cem. As 164 lojas da rede começam a funcionar duas horas mais cedo amanhã e depois na expectativa de vender cerca de 1.300 itens. O superintendente-geral, Valdemir Colleone, prevê que o desempenho da liquidação de dois dias será 50% maior que o de 2007.

Colleone diz que janeiro é o terceiro melhor mês de vendas para a empresa. Ele acredita que, em dois anos, janeiro deverá ultrapassar maio em faturamento, o segundo melhor mês para o varejo atualmente. Ele explica que o fortalecimento de janeiro se deve às liquidações. Muitos consumidores, observa, acabam adiando as compras que normalmente fariam em dezembro para o mês seguinte. "Não concordamos com essas liquidações, que são uma guerra sem regras", diz o supervisor geral. Mas ele pondera que é um "mal menor enfrentar a briga".

As Casas Bahia, líder no mercado de móveis e eletrodomésticos, e as Lojas Insinuante, com forte presença no Nordeste, se anteciparam e começaram ontem a liquidar os estoques. "Já estamos em liquidação e iremos até sábado", diz o diretor das Lojas Insinuante, Rodolfo França Jr.

Com descontos de até 50%, a expectativa da rede, de 250 lojas, é ampliar as vendas em 10% na comparação com a liquidação do ano passado. Assim como Colleone, o diretor da Insinuante diz que, por causa da concorrência, tornou-se quase obrigatório fazer liquidação neste período. Uma parte das mercadorias já foram negociadas com a indústria para isso. "Janeiro era um mês morto e a indústria e o comércio resolveram fazer desse período um bom negócio."

O Extra, do Grupo Pão de Açúcar, iniciou ontem uma liquidação de confecções e artigos de cama, mesa e banho que vai até a metade do mês. "Estamos antecipando a liquidação de verão numa época em que há predisposição para compras por causa das viagens de férias", diz a gerente da área têxtil, Wanderléa Capelini. Com descontos de até 50%, a expectativa é vender 30% mais.
Márcia De Chiara

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