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Economia 

'Vender para EUA é como baile, é difícil vencer a concorrência'

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu às grandes empresas que façam investimentos na África e em países da América Latina. Segundo ele, o mercado dos Estados Unidos é muito mais competitivo. "É como um baile com poucas chances de alguém conseguir uma parceira ou parceiro para dançar". A observação foi feita durante encontro de Lula, no Palácio do Planalto, com os 100 maiores empresários do País.

 

De acordo com relato de participantes, o presidente disse que é preciso buscar novos mercados para os produtos brasileiros. "O mercado americano é igual a um baile com cem homens e 30 mulheres. É difícil pra caramba vencer a concorrência", disse. "Ou vice versa", completou, ao perceber a presença de empresárias na reunião. "Já, nos mercados emergentes, a chance de dançar é grande."

 

Lula afirmou, em discurso, que os empresários tinham de ter uma visão "global". "As empresas não podem ter medo de ser multinacionais", afirmou. "Em vez de ficarem reclamando do câmbio, vocês precisam ir para fora, participar desse mercado global", completou.

 

O presidente afirmou que não vai faltar energia para garantir o crescimento econômico. E informou que o governo está divulgando os editais para construção das usinas hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia.

 

Após a reunião, empresários ressaltaram a importância de encontros desse tipo com o presidente. "Foi um choque de otimismo importante", disse o empresário Amarílio Proença de Macêdo. O presidente da Braskem, José Carlos Grubisch, disse que Lula provocou o setor a ocupar espaço no mercado internacional. "Acho que o presidente colocou uma agenda nova, que é essa proposta de parceria entre setor privado e governo para buscar o crescimento e o desenvolvimento e aproveitar o ciclo positivo da economia", avaliou.

 

Incentivos

 

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que participou da reunião, disse ainda que o presidente Lula estimulou as empresas brasileiras a se instalarem no exterior.

 

Segundo o ministro, o governo dispõe de instrumentos para incentivar a internacionalização das empresas brasileiras. Citou como exemplo o financiamento concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao frigorífico Friboi para este comprar a Swift.

 

Questionado sobre a possibilidade do uso de parte das reservas internacionais para financiar essas empresas, Miguel Jorge disse apenas que se trata de uma "discussão teórica" que ainda precisa ser amadurecida no governo.

 

Queixas

 

Do lado dos empresários, Luiza Helena Trajano, da Magazines Luiza, queixou-se, segundo participantes do encontro, de que o banco não financia empresas varejistas: "O BNDES está pronto para financiar grandes empresas e projetos, mas não ajuda o varejo, que faz este País crescer."

 

Lula teria dito que a empresária tinha "razão". O presidente aproveitou para afirmar que o BNDES financia empresas que querem desenvolver projetos em outros países em desenvolvimento. Em tom de brincadeira, ele disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, presente ao encontro, que tratasse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, como ele gostaria de ter sido tratado, quando comandava o banco, pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Lu Aiko Otta, Leonêncio Nossa e Tânia Monteiro

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