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Por que o Brasil está tão violento?

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Economia 

O colonizador verde

Quando anunciou sua primeira usina termelétrica no Brasil, em 2001, o grupo português de projetos de engenharia HLC quis dar um toque de originalidade à cerimônia. Para surpresa de mais de 200 pessoas reunidas na solenidade, no município de Piratini, no Rio Grande do Sul, os portugueses decidiram enterrar no terreno onde a central começava a ser construída uma via do contrato de venda da energia que ali seria gerada. O "ritual" deveria funcionar como uma inusitada jogada de marketing, mas surtiu pouco efeito. "A ministra Dilma Rousseff achou que era piada", diz Horácio Luís de Carvalho, o homem que comanda o HLC, sobre a reação da então secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e hoje ministra da Casa Civil, que assistiu incrédula à pilha de papéis sumir sob a terra. Agora, Carvalho espera atrair a atenção do mercado com outra jogada. O grupo tem o ambicioso plano de se tornar um dos expoentes em energia renovável no Brasil, com projetos de biodiesel e investimento de 4,5 bilhões de reais em energia eólica no Ceará, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. "O país tem um potencial fantástico para as energias renováveis", diz ele.

O forte apelo dos negócios relacionados à sustentabilidade fez com que Carvalho mudasse completamente o campo de atuação de seu grupo. Fundado em Lisboa em 1986, o HLC inicialmente dedicava-se a atividades como gerenciamento de aterros sanitários e unidades de tratamento de água. Em 2004, na esteira do crescente debate sobre o aquecimento global, Carvalho decidiu centrar as atenções em três novos negócios: comercialização de créditos de carbono, energia eólica e produção de biodiesel. O primeiro projeto a sair do papel foi a Carbon Capital Markets, empresa de créditos de emissões constituída em 2005, em Londres. Hoje, a Carbon Capital comercializa uma média de 25 milhões de toneladas de carbono por ano -- algo como 5% do movimento registrado na Bolsa do Clima da Europa em 2006. "Ninguém falava nesse assunto quando começamos", afirma o empresário. Com a ampliação desse mercado, Carvalho expandiu a atuação da empresa e já inaugurou escritórios na China e na Rússia. O próximo passo é chegar à Índia. Com as iniciativas verdes, o grupo, presente em cinco países, faturou no ano passado o equivalente a 85 milhões de reais.

Horácio Luís de Carvalho, dono do grupo português HLC
Idade 60 anos
Nacionalidade Português
Onde vive Londres, Inglaterra
Família Casado, três filhos
Como começou Engenheiro mecânico formado na Inglaterra. Trabalhou com o pai vendendo e consertando carros até os 33 anos. Deixou o negócio da família para gerenciar projetos de minas e energia em uma empresa de engenharia em Lisboa. Em 1986, fundou a HLC, que inicialmente atuava no setor de saneamento básico
O que faz hoje Em 2004, mudou a área de atuação da empresa. Atualmente dedica-se a negócios nas áreas de biodiesel, geração de energia eólica e comercialização de créditos de carbono. Sua empresa está presente em cinco países. O investimento no Brasil é o maior fora de Portugal

É no Brasil, porém, que o HLC acredita estar as maiores chances de crescimento. O complexo de 11 usinas de energia eólica que está sendo erguido no Nordeste e no Rio deve transformar o grupo no maior investidor estrangeiro nessa fonte no país. Até agora já foram investidos 450 milhões de reais e a primeira fase do empreendimento deve ficar pronta até dezembro de 2008. O restante ainda depende da regulamentação do governo federal. Como a energia eólica pode ser até 70% mais cara do que a hoje negociada em leilões no Brasil, a atividade só é viável se houver uma reserva de mercado. Por enquanto, o único mecanismo em vigor para resolver esse impasse é o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que garante a compra da energia pela Eletrobrás por 20 anos a projetos selecionados. De todas as usinas planejadas pelo HLC, quatro não foram incluídas no programa. Entre elas está Redonda, prevista para o município cearense de Icapuí e que poderá se tornar a maior da América Latina. Isso caso o governo decida levar adiante uma segunda fase do Proinfa. Paralelamente, o grupo está investindo em biodiesel e acaba de comprar duas esmagadoras de soja e de mamona no Nordeste (o valor dos negócios não é revelado). A partir de 2008 será obrigatório incluir 2% de biodiesel na mistura do diesel convencional -- e é nesse potencial que Carvalho está de olho.

Ele não é o único estrangeiro a apostar em energias renováveis no país. O maior parque eólico da América Latina já em operação, localizado em Osório, no Rio Grande do Sul, foi erguido pelo grupo espanhol Elecnor. Outros grupos estrangeiros já se preparam para investir nesse setor no Brasil. Recentemente, a fabricante paulista de equipamentos para geração de energia eólica Wobben Windpower vendeu quatro usinas para clientes internacionais. Além da concorrência que deve se intensificar, Carvalho tem outro desafio para enfrentar. O empresário está sendo processado por corrupção pelo Ministério Público de Portugal, acusado de levar vantagem em uma licitação para tratamento de lixo. "Estou com a consciência tranqüila", diz ele.

Larissa Santana

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