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Economia 

Empresa usa resina reciclada para produzir ''''madeira''''

A busca por energias renováveis e matérias-primas que não poluam o meio ambiente está incentivando a abertura de empresas especializadas no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias ?verdes?. Um exemplo é a Wisewood, que está começando a produzir ?madeira plástica? no Brasil.

Criada a partir de pesquisas do Instituto de Macromoléculas (Uma) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a madeira plástica é feita com resinas plásticas recicladas. Ela pode ser usada, entre outras coisas, para fabricação de dormentes para ferrovias, substituindo madeiras nobres.

A empresa tem entre os idealizadores o ex-ministro Ozires Silva. Recebeu investimentos de R$ 20 milhões, sendo R$ 12,5 milhões do BNDES e o restante de parceiros, como Rogério Igel, acionista do Grupo Ultra. A pesquisa e o desenvolvimento do material consumiram R$ 8 milhões.

"É um material com tecnologia nacional e que terá como matéria-prima resíduos urbanos, como embalagens. Vamos explorar um nicho onde o uso de madeira nobre não é necessário, como dormentes, cruzetas para poste de transmissão de energia e pallets para logística", diz Igel. A empresa está negociando com potenciais clientes, como a Vale do Rio Doce e a AmBev. "A madeira plástica pode servir para infinitas aplicações, e vamos desenvolver novos produtos conforme a demanda dos clientes", diz Vladimir Kudrjawzew, presidente e sócio da Wisewood.

A fábrica da Wisewood, em Itatiba (SP), deve começar a produzir em novembro. A idéia é fabricar 900 toneladas/mês de madeira plástica, que devem consumir 1.000 toneladas/mês de plástico reciclado.

Outra empresa que desenvolve novos materiais ambientalmente corretos é a francesa Onduline. Ela desenvolveu telhas a partir de fibras vegetais impermeabilizadas e livres de amianto. O carro-chefe é uma telha feita com fibras de celulose, obtidas a partir da reciclagem de papel, e impermeabilizado com betume, um subproduto do petróleo.

"É um processo de produção com baixa emissão de carbono e que permite reaproveitar a celulose do papel descartado. Com uma tonelada de celulose, fabricamos em torno de 300 telhas", diz Flávia Souto, coordenadora de marketing da Onduline do Brasil, que tem uma fábrica em Juiz de Fora (MG), um investimento de R$ 42 milhões.

A empresa quer atender o mercado de construção civil de baixa renda, mas acabou caindo no gosto de arquitetos que fazem projetos de construção sustentável. "Queremos explorar esse nicho de materiais para construção sustentável, uma tendência que vem crescendo no mundo todo", diz Flávia.

A produção da Onduline em 2006 foi de 5 milhões de m² de telhas, o que corresponde a 8% da produção mundial do grupo. Atualmente 75% da produção brasileira é exportada para países como Rússia, Ucrânia, Venezuela e Turquia.

As empresas especializadas em negócios com perfil ecológico estão contando com mais financiamentos. "Um bom sinal é que estão aumentando as possibilidades de financiamento para esses negócios, embora ainda exista um descompasso entre o número de empresas ?verdes? que surgem e a velocidade em que eles conseguem crédito", diz André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (CES-FGV).

Segundo Carvalho, organizações como a Finep, do Ministério da Ciência e Tecnologia, e a BNDES Par tem linhas específicas para negócios verdes. Ao mesmo tempo, fundos de capital de risco estão buscando oportunidades de investimento em áreas como energias renováveis, reciclagem e alimentos orgânicos.
Andrea Vialli

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