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Por que o Brasil está tão violento?

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Triplicam casos de rubéola no País

A rubéola voltou a crescer de forma preocupante. De janeiro a outubro, foram confirmados 4.178 casos da doença, um número significativamente maior do que o registrado de janeiro a julho, quando 1.266 diagnósticos foram registrados. Além do expressivo aumento do número de casos em pouco mais de dois meses e meio (2.912 de agosto até o dia 19 outubro), há uma disseminação do vírus transmissor pelo País. Em julho, 6 Estados e o Distrito Federal tinham casos confirmados da doença. Em agosto, já eram 10 Estados mais o DF. No boletim mais recente, que acumula dados até o dia 19, há registros de infecções em 272 municípios espalhados em 16 Estados, mais o DF.

A expansão da rubéola é fruto das falhas na cobertura da vacina registradas no País. "Houve um aumento da população vulnerável à doença, provocado por uma cobertura vacinal abaixo do que seria considerado adequado", justificou a diretora substituta do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Carla Magda Domingues. Ela afirma que, embora a média nacional de vacinação seja boa, algumas regiões têm desempenho aquém do desejado.

A explosão do número de casos provocou uma mudança na estratégia do governo de combate à doença. Será feita em agosto do próximo ano uma campanha para vacinação em todo o Brasil de homens com idade entre 20 e 34 anos - hoje, o público mais suscetível à doença. A expectativa é imunizar 67 milhões de pessoas.

"O País havia optado por uma forma mais conservadora para evitar a doença, que era imunizar crianças e mulheres férteis", afirmou Carla. No entanto, com o flagrante aumento de número de casos, o governo decidiu adotar uma ação mais agressiva.

A espera de quase um ano entre o aumento do número de casos e a adoção da campanha é considerada normal pela diretora. "Essa é uma ação que envolve uma série de preparativos: licitação para compra de vacinas, campanhas", observou. Atualmente, a vacina na população suscetível é feita nas ações de bloqueio. Quando casos são confirmados, pessoas próximas são vacinadas para evitar o aumento da transmissão. Neste ano, foram aplicadas 6,54 mil doses de vacina em pessoas com mais de 12 anos.

SÍNDROME CONGÊNITA

O avanço da doença vem acompanhado de um outro risco, muito mais preocupante: o crescimento do número de casos de síndrome de rubéola congênita. A doença ocorre em crianças contaminadas pelo vírus durante a gestação, pela placenta da mãe. A infecção pode provocar aborto, nascimento de crianças com surdez ou problemas visuais. "Se houver aumento do número de casos, somente vamos detectar a tendência dentro de um ano, quando as crianças começarem a nascer", alerta Carla.

A rubéola começou a dar mostras de recrudescimento no ano passado. Em dezembro, uma nota da Secretaria de Vigilância em Saúde alertava para surtos nas cidades do Rio, que até dezembro havia registrado 247 casos, e de Belo Horizonte, que contava no mesmo período com 239 infecções confirmadas. Na última nota, que contabiliza dados da doença entre janeiro e outubro, o Rio apresentava 1.514 casos e Minas, 138.

O maior número de vítimas é do sexo masculino (68%) e a faixa etária com maior concentração de casos é entre 20 e 29 anos (55%). "A recomendação é vacinar crianças e mulheres em idade fértil. Os homens infectados certamente são aqueles que não foram vacinados na infância", disse Carla.

O aumento expressivo do número de casos ocorre justamente três anos antes de acabar o prazo assumido pelo País para erradicar a síndrome de rubéola congênita. No ano passado, já havia sido registrado um discreto aumento do número de casos. A tendência contrariava a curva da doença, que, desde 2001, vinha caindo no País. Naquele ano, haviam sido contabilizados 5.867 casos. No ano seguinte, foram 1.480 e, em 2005, 326 pessoas tiveram o diagnóstico de rubéola confirmado.
Ligia Formenti

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