Sabendo

Os médicos advertem: quanto mais gordo, pior
Quinta-Feira, 18/10/2007, 02:53am (GMT-12)

Forte, rechonchudo, cheio de dobrinhas. No bebê fica uma graça. Mas quem quer ser um adulto obeso? Só que uma situação pode levar a outra. E lá se vai o sossego de tanta gente que passará a vida contando calorias e aprisionada a dietas de fome. Por que arriscar seu filho tanto assim? 


O sentido do paladar

Obesidade é doença, sim. E começa ainda no útero, quando uma dieta mal orientada da futura-mamãe leva o bebê a nascer com excesso de peso. E pior: demonstrando preferir os sabores que ela se acostumou a experimentar. 

É verdade que o gosto meio alcalino e a consistência sempre igual do líquido amniótico não lhe permitiram desenvolver muito o sentido do paladar. Mas ele consegue distinguir, ainda que de forma rudimentar, o principal: doce, salgado, amargo e ácido. 

Se, durante a gestação, sua mãe consumir uma grande quantidade de doces, por exemplo, a tendência é de que ele também venha a gostar mais deste tipo de sabor.


Adeus, dobrinhas

Em média, os meninos nascem com 3,300kg e 51cm. As meninas, com 3,100kg e 50cm. Ocorrem pequenas variações na tabela, mas tem que haver uma certa proporcionalidade entre altura e peso. 

Nos padrões antigos, o chamado bebê saudável tinha enormes bochechas, braços, pernas e pescoço cheios de dobrinhas. Hoje, sabe-se que a obesidade causa desde disfunções renais e cardiovasculares a diabetes, distúrbios de crescimento e outras doenças. Além de influir negativamente na auto-imagem e no equilíbrio emocional da criança. 


Gordura x formosura

Os atuais índices de crescimento que levam em conta idade, peso e altura consideram obesos os bebês que estão 20% acima da tabela ideal. Para isso, contribuem a herança genética, o sedentarismo, a alimentação inadequada e a própria ansiedade da família.

Não são nada raras as comparações com os bebês das revistas, tão bonitos e...gordinhos. Bem comum também é o hábito de interpretar a simples manha como fome. Ou de achar que seu leite não é suficientemente nutritivo, apelando para uma complementação. 

O neném pede ou aceita a comida, não somente pelo apetite. Passa a fazer isto pela necessidade de suprir alguma carência emocional. Daí para a obesidade, o caminho é curto. E cheio de deliciosas tentações.


Nem tudo são doces

De grama em grama, a criança se mostra cada dia mais voraz. Começou fofinha, bolinha mas, alguns anos depois, quando chegar à escola, os apelidos não serão nada carinhosos. Assim como sua relação com os amigos e com ela mesma. 

Por isso, tão importante quanto tratar a obesidade é detectá-la o quanto antes. O pediatra normalmente dá o primeiro sinal de alerta. A partir deste ponto, cabe aos pais, com a orientação do médico, promover uma mudança radical no comportamento e nos hábitos alimentares da família. 

Os resultados demoram um pouco a aparecer. Mas é preciso insistir. E estar ao lado da criança para, junto com ela, descobrir novos sabores. Menos doces. Muito mais saudáveis. 




Até os 6 meses, pelo menos, o bebê só precisa do leite materno. Ele tem todos os nutrientes necessários para o seu pleno desenvolvimento.

A partir do 6º mês, começa a alimentação sólida, com papinhas de frutas e legumes. Aos poucos, vá ampliando o cardápio para que ele consuma também vitaminas, proteínas, carboidratos e sais minerais, na medida certa. 

Respeite os horários das refeições principais, evitando substituí-las por mingaus, biscoitos, sanduíches ou sorvetes. 

Estimule as atividades físicas, como a natação, indicada desde cedo. Leve seu filho diariamente ao playgroud ou à pracinha, para pedalar, correr, escalar os brinquedos, movimentar-se. 

Evite os refrigerantes, que ficam para as festinhas e os finais de semana. Em seu lugar, ofereça sucos de frutas variados.

Lugar de comer é na mesa e não na frente da televisão.

A educação alimentar começa pela família. Afinal, se devorarmos barras de chocolate, como convencer nossos filhos a preferirem frutas na sobremesa?

Atenção!
Não usar jamais a comida como consolo para momentos de tristeza, nem como um tipo de recompensa.

Dr. Paulo Roberto Lopes, pediatra