Logo ao nascer, a certeza que ele ouve bem
Quinta-Feira, 18/10/2007, 02:51am (GMT-12)
Lá pelo terceiro ou quarto mês de vida, a família percebe que o bebê é quieto demais. Dá para notar que, diante de uma porta que bate, fazendo barulho, ele não estremece (reflexo de Moro) e nem sequer pisca os olhinhos, revelando que levou um susto.
A ida ao pediatra para uma avaliação costuma ser o primeiro passo. Ele, muitas vezes, opta por manter a criança em observação. Dali a alguns meses, já bastante inseguros, os pais resolvem ouvir o otorrino. Marca-se uma consulta e... quanto tempo perdido.
Quanto mais cedo, melhor
Em algumas cidades, ele é obrigatório. Esperamos que, em breve, seja no país inteiro. Quase todas as grandes maternidades já o colocam, como rotina, à disposição dos pais. Na hora de escolher uma delas, não deixe de se informar a respeito. Falamos do Teste de Oto-Emissões-Acústicas, um poderoso aliado na detecção precoce da surdez de origem congênita. Ou seja, aquela que o bebê apresenta, já ao nascer.
Som vai e vem
O recurso é revolucionário. O exame, ao contrário, tem uma dinâmica bastante simples. Para realizá-lo, é necessário um aparelho portátil que se desloca, facilmente, até onde o neném está, seja no quarto ou no berçário. Este aparelho é composto de uma sonda que envia estímulos sonoros e capta certos sons emitidos pelo ouvido normal como resposta.
Reação natural
É mesmo de espantar. Embora não se consiga perecer, o ouvido humano produz sons derivados da contração de algumas estruturas do ouvido interno. Como age o aparelho? Emite ruídos próprios e recolhe os que são mandados de volta, em uma reação absolutamente esperada e natural. Prova-se, assim, que o bebê não apresenta, naquele momento, qualquer falha importante na audição.
Positivo ou negativo?
Caso este primeiro teste feito na maternidade tenha resultado negativo, mas persistam suspeitas de que o bebê não ouve bem, ele pode ser repetido até o final do primeiro mês. Se der positivo para deficiência auditiva, é sinal de que o neném precisa passar por uma avaliação mais complexa. Como sempre, o diagnóstico precoce encurta os caminhos para a solução de qualquer problema
Um alerta! Menos de 1% das crianças que nascem apresentam problemas de audição. Ótimo que seja assim. No entanto, para esta minoria, a detecção do déficit e o tratamento de reabilitação devem ser feitos o mais rápido possível. Em fase bastante precoce, a fim de que, no futuro, não haja comprometimento da fala ou qualquer prejuízo para sua vida com os amiguinhos e na escola.
Dr. Ricardo Testa, otorrinolaringologista
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