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O mundo solitário do autista

Eles parecem distantes, não se relacionam com outras crianças e não expressam emoções: são os autistas. Mais comum em meninos, o autismo é uma grave doença neuropsiquiátrica, que prejudica o desenvolvimento psiconeurológico, social e lingüístico. Pode estar associado a várias síndromes, como defeitos cromossômicos e infecção congênita. Na grande maioria das vezes, não se conhece sua causa, embora recentes pesquisas apontem para uma forte predisposição genética.


Observe estes sinais

Manifestações de atraso da fala e linguagem. A criança está se desenvolvendo muito bem, fala mais de 10 palavras ou mesmo canta e, de repente, no segundo ano de vida, pára de falar.

Movimentos limitados e repetitivos. Ele agita as mãos quando excitado ou frustrado, balança o corpo ou repete indefinidamente uma determinada rotina; por exemplo, alinhar objetos, colocar uma roda em movimento. É capaz de assistir a mesma fita de vídeo dezenas de vezes seguidas, sem interrupção.

Dificuldade de relacionamento. A criança se retrai, não participa das brincadeiras e evita, inclusive, olhar diretamente para os familiares. Suas atividades são solitárias e ela não usa os brinquedos da maneira rica e simbólica como as outras crianças da mesma idade.

Apego excessivo a um ou dois objetos; repetição permanente de um mesmo assunto.

Frustração quando alguém o retira de sua rotina.

Atenção!
Já está comprovado que o autista não vive um mundo à parte, alheio ao ambiente. Ele percebe, sim, o que está acontecendo à sua volta, mas não consegue responder aos estímulos que recebe.



Diagnóstico antecipado

Antes, a doença era confirmada entre os sete e oito anos. Agora, a idade média de diagnóstico caiu para menos de três anos, sendo que muitos pesquisadores afirmam que os primeiros sinais aparecem ainda no primeiro ano de vida.

Se os pais percebem algum sintoma diferente em seu filho, devem conversar com o pediatra. Ele vai avaliar a necessidade de exames complementares e mesmo indicar uma consulta com um neuropediatra ou um psiquiatra infantil.

O fundamental é identificar o autismo o mais cedo possível, o que só aumenta as chances de recuperação. E não isolar a criança; ao contrário, incentivá-la à convivência social, se preciso, com a ajuda de um terapeuta para mediar estes contatos.


Um longo tratamento

Não existe cura, mas a doença pode ser tratada. A ênfase atual é o treinamento da fala, a comunicação e as interações com outras pessoas. Quanto mais cedo acontecer a recuperação da fala, maior será a probabilidade de seu filho atingir um desenvolvimento melhor.

O autista precisa de compreensão, carinho, da dedicação exaustiva dos pais, da equipe interdisciplinar e das pessoas à sua volta. Mas, sobretudo, de muito amor e respeito para ser feliz.

Dr. Márcio Vasconcelos, neuropediatra

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